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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O antes e o depois da cirurgia: saiba como cuidar de seu animal.

Hoje me chega um cliente e  pergunta se poderia vir a qualquer momento na clínica que eu faria a castração de seu cachorro. Eu então fui explicar para ele  que neste caso não, que seriam necessários alguns cuidados etc... etc... Foi uma conversa rápida, mas acho que consegui ser claro... Bem, resolvi escrever esta postagem, pois acho importante  orientar os proprietários (lá se vem novamente este termo, que, como eu já expliquei anteriormente, não me agrada muito...) sobre os cuidados ligados a procedimentos cirúrgicos. Muito provavelmente seu animal vai, em algum momento passar por um procedimento cirúrgico, seja por questões de bem estar e saúde, como é o caso das castrações, histerectomia, ou então para tratamento de uma doença. 
Uma cirurgia se dá essencialmente de duas formas: planejada e com alguma antecedência, mesmo que de poucos dias, ou então de forma emergencial, quando você não terá condições nem tempo de prepará-lo adequadamente par o procedimento. Então daí vem a primeira dica: mantenha seu animal sempre com calendário de vacinação e controle de parasitas em dias! Animais com parasitas tem um processo de recuperação em pós operatório geralmente mais demorado e com maiores riscos de complicações, assim manter seu animal livre de pulgas, carrapatos e vermes é fundamental para evitar doenças e mantê-lo sempre em melhores condições para uma eventual cirurgia. Quanto à vacinação, se faz importante pois o estresse pós-cirúrgico pode reduzir a capacidade imunológica de seu animal e ele pode mais facilmente contrair alguma doença infecciosa, então mantenha as vacinas de seu pet sempre em dia.
Se o procedimento pode ser agendado e você tem tempo para se preparar e preparar seu animal, alguns cuidados devem ser tomados (vou considerar que seu veterinário já solicitou os exames pré-operatórios, fez todas as avaliações clínicas necessárias...): 
- Sendo necessário, de 4 a 5 dias antes do procedimento, mande tosar seu animal. Não deixe para fazer isto na véspera. Na véspera da cirurgia, seu animal deve evitar sair de casa (exceto para fazer as necessidades - lembre-se de recolher as fezes de seu animal, colocá-las em saquinhos plásticos, amarrar a boca do saco e entregar na coleta de lixo). 
- Se possível dê, em casa mesmo, um banho em seu animal na véspera do procedimento;
- Durante o procedimento de anestesia (e portanto esta dica serve também para procedimentos como remoção de tártaro) seu animal pode apresentar vômito, que além de poder gerar contaminação, se aspirado e causar graves danos à saúde de seu animal. Para minimizar este risco, você deve deixar seu animal em jejum alimentar, pelo menos, 12 horas  antes do horário agendado para o procedimento, porém a água deve ser mantida à disposição de seu animal. 6 horas entes do procedimento deve retirar também a água;
- Seu veterinário pode também prescrever algum medicamento específico, em especial antibióticos para serem dados na véspera da cirurgia;
No dia da cirurgia chegue com seu animal no horário combinado. Lembre-se que há um profissional que estará deixando de marcar outros procedimentos ou deixando de realizar outras atividades aguardando você e seu animal. A pontualidade também é importante para que haja tempo hábil para os preparativos pré-operatórios;
- Durante o transporte procure manter seu animal calmo. Evite levá-lo à pé. O transporte deve ser tranquilo e confortável;
- É importante que você converse sempre com seu veterinário. Tire todas as dúvidas, os riscos (é todo procedimento , em especial os cirúrgicos, tem risco) Informe-se. Questione como será a anestesia, como será o procedimento. pergunte! é um direito seu.  
O pós operatório exige ainda maiores cuidados:
- Seu animal, retornando da anestesia vai estar sonolento, poderá urinar, defecar ou mesmo vomitar. Procure entretanto mantê-lo sempre limpo. Nas primeiras 24 horas, procure manter seu animal em local limpo, tranquilo e silencioso. Evite que pessoas ou e mesmo outros animais venham importuná-lo;
Mantenha seu animal devidamente agasalhado com um pano. Evite deixá-lo diretamente m contato com o chão;
- Não tente fazer com que seu animal coma contra sua vontade. O efeito residual dos anestésicos podem fazer com que seu animal vomite. A primeira refeição deve ser dada apenas 12 horas após a cirurgia;
Atente para a medicação prescrita por seu veterinário. Verifique sempre a dosagem, frequência e duração do tratamento. NUNCA forneça medicamentos por conta própria;
A maioria dos animais vai tentar lamber suas feridas, mas eventualmente irá se acostumar com os pontos. Se ele insistir ou caso seu veterinário recomende utilize o colar elizabetano;
Procure manter seu animal, em especial nos 7 primeiros dias, contido em espaço no qual não faça nenhum grande esforço (pular, correr etc.) a fim de evitar ruptura dos pontos;
- Para a realização de curativos, dê preferência a pomadas e sprays, e utilize conforme orientação de seu veterinário. Evite cobrir a cicatriz cirúrgica, a não ser que seu veterinário recomende;
- A retirada de pontos deve ser realizada em torno de 10 ou 11 dias, ou conforme orientação de seu veterinário.

Tomando estes cuidados seu animal vai se recuperar mais rapidamente e de forma mais tranquila, reduzindo os riscos de complicações.


Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário


Imagens: 
http://www.abbeyvillevet.ie
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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Doenças periodontais de cães e gatos

As doenças periodontais representam um grave risco para seu animal, com consequências sobre  a saúde, longevidade e bem estar dos animais, havendo estudos de correlação direta de problemas cardíacos, renais, hepáticos, articulares e processos infecciosos generalizados relacionados aos problemas periodontais.
Sintomas
Os sintomas mais comuns e de mais fácil percepção de doenças periodontais nos animais de estimação são:
- Mal hálito;
- Dentes com alteração na coloração;
- Gengiva avermelhada ou inchada (gengivite);
- Perda dos dentes;
Dificuldade em morder;
- Dentre fraturados ou quebrados;
- Dificuldade em se alimentar, em alguns casos com perda de peso;
Salivação com odor alterado ou com estrias de sangue;
- Dor ao abrir ou manipular a boca e região próxima a boca do seu animal;
Movimentação da língua excessiva como se tivesse retirando algo de dentro da boca;
- Inchaço ou fistulação abaixo dos olhos;
- Irritabilidade;
- Depressão.
Tratamento
O tratamento das doenças periodontais varia conforme a gravidade de cada caso. Cabe ao médico veterinário avaliar. O tratamento geralmente inclui o uso de antibióticos, remoção de placas bacterianas e cálculos, extração de dentes severamente comprometidos dentre outros. 
Prevenção
Para prevenir as  doenças periodontais de seu pet, você deve:
- Fornecer alimentação adequada (comida caseira, é um importante fator desencadeador de doenças periodontais);
-  Oferecer a seu animal, snacks, ossinhos próprios para limpeza;
- Escovar regularmente os dentes de seu animal.
A escovação
Quando algumas pessoas ouvem falar de escovação acham que se trata de uma brincadeira, a tomam esta importante ação com deboche, mas, quem tem um animal com uma doença periodontal severa sabe o tamanho deste problema!
Vamos a algumas dicas de escovação:
Não é necessário que seu animal adore a escovação, porém ele precisa suportar o procedimentos. Os passos iniciais são voltados para que seu amigão aceite a escovação.
ATENÇÃO: Não utilize creme dental comum (humano) para escovar os dentes de seu animal, 1. O primeiro passo para uma boa escovação é a escolha do ambiente. Procure um local calmo, que não ofereça distrações e não tenha nada atrapalhando a escovação (outros animais, brinquedos etc). Não tenha pressa.
2. Deixe seu animal se acostumar com a esta nova atividade que é a escovação. Inicialmente, nos primeiros 3 a 4 dias, apresente a escova, introduzindo-a suavemente na boca de seu animal e fazendo uma leve massagem (sem creme dental).) . Apresente também o creme dental: coloque um pouco de creme dental em seu dedo e deixe-o lamber o produto.
3. Nos 5 dias seguintes coloque um pouquinho do creme dental no seu dedo, acomode o seu animal no colo, ou na posição preferida dele, e massageie o seu dedo na gengiva dele por uns 5 segundos. Comece massageando apenas os dentes da frente ou uma das laterais da boca. Observe o ponto que o seu cão fica mais relutante em deixar escovar e a cada dia dedique um segundo a mais justamente neste ponto. Termine a massagem da gengiva sempre no ponto da boca que ele fica mais relaxado. Ao final desta breve seção faça bastante carinho e ofereça um pouquinho de água.
4. É hora de introduzir a dedeira de borracha. Repita o programa de 5 dias como foi descrito no item 3, desta vez usando a dedeira.
5. Você já está trabalhando a 13 ou 14 dias e já deve ter conquistado alguns progressos. Se o seu peludo já aceita bem a escovação, vá em frente e trabalhe a boca toda. Se vocês ainda precisam de algum tempo para se adaptar ao ritual da escovação, procure dividir a tarefa em duas etapas. Escove uma metade da boca primeiro, e então libere o peludo para brincar ou fazer qualquer outra coisa. Em uma outra hora do dia que vocês estejam relaxados novamente aproveite para escovar a metade que ficou faltando. Mantenha este esquema até o seu animal começar a aceitar a escovação com naturalidade.
6. Enquanto o seu peludo estiver se acostumando a ter os dentes escovados, tenha o cuidado de parar a sessão antes dele ficar irritado e irrequieto. Se ele desconfiar que dando chilique vai se livrar da escova de dentes, vai ficar cada dia mais difícil de tratar da boca de seu animal.
7. Escove sempre de uma maneira bem gentil e sem fazer força contra a gengiva de seu animal.
8. Faça movimentos circulares lentos e certifique-se de massagear a linha da gengiva, além da parede dos dentes.
9. Certifique-se de escovar os dentes do fundo da boca e os caninos, pois é neles que as placas se formam mais freqüentemente. Também não se preocupe em escovar os dentes pelo lado de dentro da boca do bichão, pois as placas e o tártaro normalmente se aderem na face externa dos dentes.
10. Sempre termine cada sessão fazendo um belo carinho no seu peludo.
11. A frequência de escovação depende da condição clínica de seu animal. O recomendável é de, no mínimo, 2 vezes por semana, porém, em casos mais severos, pode-se realizar escovação diária;
12. Os utensílios (dedeiras, escovas e creme dental) devem ser adequados para animais, Procure produtos de qualidade;
ATENÇÃO: Cuidado com produtos de higiene oral com Xilitol (um tipo de adoçante que também é utilizado em produtos odontológicos por combate cáries) na sua formulação, por ser este composto tóxico para animais, podendo levá-los à morte!
Animais com tártaro ou alguma outra complicação já instalada podem necessitar passar por procedimentos de limpeza, extração, tratamento com antibióticos, obturação ou outros. Consulte seu veterinário.
Ah, em breve, na Amicão, você poderá realizar a remoção de tártaro de seu animal. 

Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário


Imagem: http://thoughtsfurpaws.com/wp-content/uploads/2010/10/dog-tooth-clean.jpg

domingo, 16 de outubro de 2011

Primeiros socorros (parte 1): Aspectos gerais

São muitas as circunstância nas quais o seu animal pode necessitar de cuidados imediatos. A estes cuidados chamamos de primeiros socorros. Este é o primeiro de uma série de posts nos quais procurarei  descrever os procedimentos básicos de primeiros socorros para cães e gatos. Serão dicas simples, porém poderão salvar a vida de seu animal. E sempre vale lembrar: após os primeiros socorros, seu animal invariavelmente irá necessitar de avaliação e acompanhamento veterinário.

Para começar vamos a 3 regrinhas gerais:


1º Mantenha a calma: O desespero pode levar o proprietário a tomar medidas prejudiciais à saúde e colocar em risco a vida do animal.


2º Você não vai conseguir ajudar seu animal, ou qualquer outro animal, se você também estive necessitando de socorro, portanto, se sua saúde ou integridade se encontra em risco, preserve-se. Se necessário, remova o animal para local seguro. Esta dica é válida por exemplo, em caso de atropelamentos, quando, prestar socorro ao animal no meio da rua pode colocar sua vida, a do animal e a segurança do trânsito em risco, ou ainda em casos de choques elétricos: desligue a corrente elétrica antes de tentar salvar seu animal. Incêndios, desmoronamentos e outras circunstâncias de alto risco exigem precaução extrema dos proprietário ou da pessoa que está tentando salvar um animal..

3º Entre em contato com seu veterinário: ele vai lhe orientar adequadamente sobre o que fazer para a situação específica em que seu animal se encontra.


Emergência X Urgência


Muitas pessoas não sabem diferenciar um caso de emergência para urgência! Sim, se você não sabia emergência é diferente de urgência.


Emergência é uma condição em que há risco eminente à vida de seu animal,. havendo necessidade de atendimento imediato ( por exemplo: hemorragias, parada cardíaca e/ou respiratória, envenenamento, atropelamento, choque elétrico, etc)


Urgência são casos de menor gravidade, que podem aguardar um pouco por atendimento, porém, este atendimento deve ser realizado antes que haja complicações mais graves (vômito e/ou diarréia, convulsões, infecções de útero (piometra), convulsões etc)


Como manuser um animal ferido, machucado ou doente?

Atenção: animais feridos, doentes, com medo e/ou, confusos podem morder, mesmo seu cãozinho ou gato, dócil e amável normalmente, pode, em caso de injúrias lhe morder ou arranhar. por isto tenha todo cuidado.

Como amordaçar um cão
  • Não abraçe um animal ferido. Esta atitude, muitas vezes adotada pelos proprietávios visando dar conforto ao animal pode fazê-lo sentir ainda mais dor, e pode lhe expor a uma mordida ou arranhadura, além de, dependendo do caso, agravar a condição do animal;
  • Qualquer manuseio deve ser feito lenta e gentilmente. Em caso de agitação ou demonstração de desconforto, para imediatamente;
  • Se necessário, e apenas se seu animal não estiver vomitando e sem dificuldade de respirar, faça uma mordaça. Isto irá reduzir os riscos de você ser mordido e faciclitará o atendimento do seu animal quando de sua entrada na clínica veterinária.
    • Cães podem ser amordaçados com fitas, gravatas, tiras de tecido, corda macia ou outro produto que não cause lesão ao seu animal (nunca utilizar arames nem fios!)
    • Gatos ou cães de focinho curto podem ser, gentilmente, envoltos em um lençol grosso ou fronha, cobrindo-lhes também os olhos. Com isto você evita movimentação, agressão, e oferece conforto ao animal, porém, tenha sempre cuidado para que não haja prejuízo à respiração e ao bem estar do animal.
    Lembre-se: NUNCA amordace um animal que esteja vomitando!
  • Se possível, e em especial, se houver sangramento, ou fratura, procure estabilizar o quadro com uma bandagem.
  • Durante o transporte, procure restringir o espaço do animal, para evitar  danos adicionais. Em caso de inconsciência ou trauma, procure transportá-lo deitado, lateralmente, com a área mais afetada voltada para cima.  Se possível, utilize caixa de transporte. No caso de transporte de animais deitados, procure apoiá-lo sobre uma superfície firme (tábua, porta etc).  
Nos próximos posts, detalharei algumas orientação gerais para situações específicas. Fique atento, sua atitude pode salvar a vida de seu animal.




Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário




Imagens: 
http://www.sfgate.com/blogs/images/sfgate/pets/2009/09/24/pet_first_aid_dog400x313.jpg
http://www.animalwelfarenetwork.org/images/graphic_tapemuzzle.jpg