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domingo, 3 de junho de 2012

Cuidados com cadelas e gatas prenhes.

Depois de um longo hiato nas postagens, estamos de volta, e hoje um assunto que sempre preocupa os proprietários de cadelas e gatas: a prenhez.
Seja acidental ou planejada, a prenhez é um momento especial na vida de cadelas e gatas. Geralmente, quando há uma prenhez envolvida, é comum que os proprietários se preocupem sobre como agir com seu animal.
Bem, os cuidados com uma cadela ou gata prenhe deve se iniciar antes mesmo da cobertura. Isto mesmo: para reduzir os riscos de complicações na prenhez, e mesmo favorecer um melhor desenvolvimento e a saúde dos filhotes no pós-parto, é importante que a futura mamãe esteja esteja com todas as vacinas em dias, com seu controle de parasitas atualizado e em boa condição de saúde. 
Mas e se ocorreu um "acidente" e você não teve tempo de verificar estes cuidados, ou então, se a vacina "se vence" bem no meio da prenhez, posso vacinar e "dar remédio para verme?" (adoro esta expressão, até parece que os parasitas estão doentes...). A resposta é não, ao menos eu não recomendo. As vacinas, apesar de haver quem afirme que a anti-rábica, por exemplo, possa ser aplicada, precisam de um sistema imunológico hígido para obter um boa efetividade em conferir proteção ao animal, e durante a prenhez, há intensas mudanças no sistema imunológico de cadelas e gatas. As vacinas podem também podem, em alguns casos, provocar problemas aos fetos e até mesmo ocasionar aborto, portanto, eu pessoalmente, não recomendo. O mesmo ocorre em relação aos vermífugos e com produtos para controle de parasitas externos (pulgas, carrapatos etc). Havendo necessidade de tratamento, seu veterinário irá indicar o produto mais adequado. De qualquer forma é importante que todos estes aspectos sejam verificados antes de colocar seu animal para reprodução.
Outra grande preocupação, que vejo também por parte dos proprietários, refere-se à alimentação. Muitos questionam sobre vitaminas, suplementos etc. Neste ponto a única recomendação que eu faço, claro, conforme avaliação clínica, para a grande maioria dos animais é a substituição da ração, de adulto para uma de filhote, preferencialmente ração super premium, não havendo, de um modo geral, necessidade do uso de quaisquer suplementos. Uma outra dica importante é manter sempre água limpa à disposição da futura mamãe.
Quanto às atividades físicas, se você tem o hábito de caminhar com sua cadela, mantenha este hábito. Evidentemente, não se recomenda fazer uma maratona, mas caminhadas leves são recomendadas. À medida que a prenhez avança, reduza aos poucos a carga de exercícios. caminhadas de 20 a 30 minutos são ideais nesta fase. Nas últimas duas semanas de gestação, deve-se isolar a cadela de outros animais, e portanto, encerram-se as caminhadas.
Quanto ao parto, que ocorre no caso das cadelas por volta de 58 a 64 dias, e nas gatas, por volta de 60 a 64 dias do dia da cobertura, de um modo geral não há muto o que se fazer. A grande maioria dos partos são normais, e não necessitam de maior intervenção do proprietário para sua efetivação. A única recomendação que eu faço é a manutenção de um ninho, feito com uma caixa e panos limpos, para que o animal tenha um local limpo e confortável neste momento. 
Os sinais do parto são, de um modo geral, bem evidente: o animal reduz sua ingestão de alimentos, às vezes deixa de se alimentar nas 24 horas que antecedem o parto, pode-se também observar uma queda na temperatura corporal dos animais, em especial nas cadelas. Para esta verificação recomendo a aferição da temperatura retal  diariamente na semana anterior da data prevista para o parto. entre 11 e 16 horas antes do parto, você irá observar uma queda de 1,1 ºC a 1,7 ºC  na temperatura de seu animal.
De um modo geral, como eu já disse, não há necessidade de intervenção no parto, porém caso ocorra alguma complicação, leve seu animal ao veterinário de sua confiança. Desconfie de problemas se:
- A gestação durar mais de 70 dias;
- A temperatura retal caiu há mais de 24 horas e nenhum sinal de parto;
- O animal já apresenta contrações abdominais há mais de 4 horas e não nasce nenhum filhote;
- Animal apresentando dor intensa por longo período.
Pronto, agora cuide bem da mamãe e dos filhotes. Mas sempre vale lembrar que a reprodução deve ser um ato consciente, e que os filhotes irão necessitar de um lugar seguro, que lhes ofereça abrigo, carinho,  alimentação e cuidados. Nunca abandone um filhote, e caso não quera reproduzir, pense seriamente em solicitar a seu veterinário a realização da histerectomia. Não use anticoncepcionais para evitar uma prenhez indesejada (saiba mais aqui).
CURIOSIDADE: Você sabia que uma cadela ou gata pode, em uma mesma prenhez, ser mãe de filhotes de pais diferentes?


Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário


Imagem: 
http://petsci.co.uk/wp-content/uploads/2012/05/wpid-Photo-26-May-2012-1916.jpg

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Coceira (parte1): alergia

Meu cachorro (ou gato) está se coçando, o que ele tem? Qual o  remédio? Estas são, provavelmente, as perguntas que ouço com maior frequência de clientes, amigos, parentes, conhecidos, desconhecidos.. .nada contra, mas é que as respostas possíveis são muito mais complexas do que as pessoas pensam. A coceira, ou prurido, não é, em si uma doença, mas um sintoma, e portanto pode estar presente em diversas doenças.
Em primeiro lugar: é impossível um veterinário diagnosticar a causa de uma coceira sem examinar o animal, fazer um extenso questionário ao proprietário e, frequentemente solicitar exames complementares (hemogramas, raspados cutâneos, biópsias etc). Este é a primeira de uma série de postagens que vão abordar este problema e suas principais causas. Hoje vamos falar de: Alergia!
É isto mesmo, assim como nós, seres humanos, os animais (é, eu sei, nós também somos animais) também podem apresentar quadros alérgicos, e dentre um dos sintomas comuns nestes casos está a coceira.
Alergia é, de uma forma bem simplista, uma reação exagerada do organismo a uma determinada substância. 
Há, essencialmente três tipos de alergia em cães e gatos, conforme a origem: dermatite alérgica a picada de pulgas (e a outros parasitas), intolerância alimentar e atopia.
A Dermatite Alérgica a Picadas de Pulgas (DAPP), na verdade não é adequadamente descrita por seu nome, uma vez que carrapatos, mosquitos e outros insetos podem desencadear, com sua picada ou ação mecânica reações alérgicas em alguns cães e gatos.  A saliva (!) destes aracnídeos e insetos contem substâncias que podem ser desencadeadoras de reações alérgicas. Muitas vezes o proprietário relata que nunca viu uma pulga no seu cão (ou gato), mas aí é que está o problema: basta, por exemplo, uma única pulga para desencadear o processo, e dificilmente esta será percebida!
Os principais sintomas são: coceira, principalmente na região da virilha, base da cauda e nádegas, queda de pelo nestas áreas, e feridas, geralmente dispersas em todo o corpo. Nos gatos pode-se notar a ocorrência de crostas (cascas), principalmente no pescoço e peito.
O tratamento para a DAPP é baseada notadamente no controle de pulgas e carrapatos (para saber mais clique aqui),e, conforme o caso, com o uso de medicamentos sintomáticos (sempre com orientação médico veterinária!!!)
A Intolerância Alimentar é uma reação alérgica provocada geralmente, por produtos químicos contidos nas rações, ou ainda, em algumas proteínas contidas na carne, especialmente bovina. No caso de animais alimentados com "comida caseira" este tipo de problema pode ser decorrente também de vários condimentos comumente utilizados no preparo da "alimentação humana" que é oferecida aos animais.
Os principais sintomas são manifestados com coceira intensa, vermelhidão e descamação na pele, e frequentemente, lesões de automutilação, provocados pela ação das unhas dos animais ao se coçarem.
O tratamento, geralmente está associado ao fornecimento de alimentação específica (ração ou comida caseira) prescrita por médico veterinário. 
A Atopia, dentre as alergias em animais de estimação, é um grande desafio, principalmente pela grande variedade de substâncias que podem estar envolvidas: produtos de higiene doméstica (sabão em pó, desinfetantes, detergentes etc), xampus, perfumes (tanto o dele quanto o seu!!!), polem de flores, material de construção, fumaça (inclusive de cigarro), remédios... a lista é praticamente infinita...
Os sintomas da atopia são semelhantes aos da intolerância alimentar. O tratamento, muitas vezes é difícil, dada a dificuldade de se detectar a causa. O uso de produtos hipoalergênicos, mudanças nos procedimentos de higiene doméstica (não utilizar desinfetantes comuns, sabão em pó ) e do animal são fundamentais. 
Um alerta em relação às alergias é que, comumente, os animais são inadequadamente tratados, e muitos acabam tomando doses altas e por muito tempo de corticóides e outros medicamentos sem a orientação adequada, o que pode ser extremamente prejudicial á saúde de seu animal e não resolve efetivamente o problema. Muitos proprietários querem também um tratamento rápido, o que geralmente não é possível. Problemas alérgicos podem levar semanas, e mesmo meses para  serem diagnosticados e tratados, e em alguns casos, o animal precisa tomas doses regulares de medicamentos para controles dos sintomas, em um procedimento denominado pulsoterapia, sem contar que alguns procedimentos precisam ser conduzidos por toda a vida do animal.
Então da próxima vez que seu animal estiver se coçando, não vá pela "dica do vizinho", nem pelo remedinho "prescrito" pelo dono do pet shop, ou pelo balconista. Procure um veterinário, tenha paciência, pois o tratamento poderá ser demorado, e seja cooperativo, pois o sucesso do tratamento  dependerá muito de sua atitude e esteja atento, pois os resultados, em alguns casos nem sempre serão tão efetivos quanto o esperado pelo proprietário e/ou pelo clínico.

Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário

sábado, 21 de janeiro de 2012

Maus tratos a animais

Hoje, em diversas cidades do do mundo (veja programação) estão sendo realizados manifestos e eventos contra os maus-tratos aos animais e em favor de mudanças na legislação pela adoção de penas mais severas contra quem comete este tipo de crime.
Mas e você, sabe como reconhecer, ou suspeitar, que seu animal está sendo vítima de maus-tratos? E sabe como proceder nestes casos?
Em primeiro lugar, há algumas dicas que podem indicar, que seu animal está sendo vítima de maus tratos, mas atenção, nem todo comportamento de repulsa a uma pessoa ou local significa que seu animal sofreu maus tratos aliou provocado pro aquela pessoa. A seguir algumas para identificas possíveis maus-tratos, em algumas circunstâncias:

Banho e Tosa
Observe o estabelecimento e como o serviço é prestado.É importante que haja um envolvimento eum manuseio adequado do prestador de serviço para com o animal. “Cães e gatos manuseados como se fosse uma boneca de plástico descabelada, cães sendo puxados para um lado e para o outro por uma só pata, tendo seus longos pelos embaraçados escovados com muita força e nenhum cuidado.  Olhos assustados, orelhas para trás e rabo, quando permitido, entre as pernas" imagine "se um nozinho no seu cabelo dói, como deve se sentie seu animal sente dor quando escovado com brutalidade!"
Comece a notar os sinais que o seu cão lhe dá quando está indo levá-lo ao banho. Repare como se comporta no momento em que vai para o colo da pessoa que o recebe no Pet Shop e como esta pessoa o recebe. Tire algumas horas do seu dia para observar o banho do seu cão pelo vidro da loja, ou então repare outros cães sendo lavados e escovados no mesmo local. 
Quando notar ações que não aprova, fale com o veterinário (é importatne que o estabelecimento possua veterinário) ou o proprietário do local, que pode não saber do que ocorre ali. Você está pagando pelo serviço e tem o direito de reclamar e o dever de denunciar qualquer ato de maus - tratos que o seu cão sofra!
É possível dar um belo banho, secar e escovar um cão sem que este seja tratado com um objeto. Basta capacitar os profissionais e escolhê-los dentre os que realmente gostam de cães e gatos. Quando o trabalho não é feito em “série”, mas de forma personalizada, o tempo não precisa ser tão curto para o grooming de um cão. Também é possível fazer associações positivas aos cuidados que o cão necessita de maneira que ele goste de ir ao local, tomar o banho e ser cuidado. Além de que, se for bem tratado e receber carinho irá gostar de voltar ao lugar.
Opte por lugares onde os animais são entregues em casa logo após o banho. 
Quando o pêlo do cão estiver com “nós”, peça para cortar ou tosar e não desembaraçar a qualquer custo. Não se prenda a estética, mas a higiene e bem-estar do seu animal."

Secretárias do Lar
Ah! Aqui reside um grande problema! Embora recebam para organizar e limpar a casa um número significativo delas detesta os “causadores de sujeira”. E embora em frente aos empregadores diga que esta tudo bem, podendo até fazer mimos nos cães, quando os tutores viram as costas podem cometer todo tipo de maus-tratos.
Opte por uma funcionária que realmente goste de cães, instale câmeras de filmagem de forma a ter registrado o que ocorre na sua casa durante a sua ausência. Deixe claro que o bem-estar do cão é a sua prioridade e não apenas o serviço dela bem feito. E mais, note os comportamentos que o seu cão tem perto da sua secretária.
“Cães são como crianças, e podem demonstrar gostar de uns e temem a outros.” Existem muitas pessoas que trabalham na função de doméstica e que adoram bichos!

Adestradores, Educadores Caninos, Babás e Passeadores
"Sobre as pessoas que ensinam algo ao seu animal de estimação, é fundamental compreender que não é possível estipular quantidade de aulas para que algo seja ensinado e ou modificado no comportamento do seu cão. Cada cão responde de uma maneira, dentro do seu tempo. Além de que a dedicação dos tutores aos treinos e o comprometimento de todas as pessoas envolvidas na rotina do cão são “peças chaves” no andamento dos treinos.
Treinos com uso de punição são mais rápidos e mais precisos, porem não são justificáveis!
Acompanhe as aulas, e quando precisar se ausentar, escolha outra pessoa para estar presente. Fique atento para a reação do seu cão quando o profissional chegar a casa. Note como ele se comporta depois das aulas. Não permita que uma pessoa sob a alegação de ensinar algo ao seu amigo uso um enforcador. Aqui também vale a dica de manter uma filmagem da sua casa quando está ausente, ou seguir vez ou outra, o passeador sem que ele perceba. 
Converse com os vizinhos para estarem atentos ao passeador enquanto anda na rua com o seu cão. Peça referências da babá, combine com algum parente para chegar na casa enquanto o profissional está fazendo a manutenção, filme...
Embora algumas das profissões ligadas ao manejo de cães, existem outras tantas. O que importa é notar o comportamento do se cão em relação a tais pessoas. 
Veterinários NÃO estão fora destas dicas de observação, devem SIM ser incluídos!

Fique atento aos seguintes comportamentos no seu cão:
- Rabo entre as pernas, orelhas para trás ou para baixo,
- Urinar quando a pessoa se aproxima ou chega no lugar,
- Deitar no chão com a barriga para cima quando a pessoa se aproxima ou fala com ele,
- Respiração ofegante,
- Salivação,
- Esquivar-se sem justificativa quando terceiros ou você levanta o braço ou se aproxima,
- Agressividade,
- Apatia, depressão,
- Tentativa de fulga...Nem todos os cães mostram sinais perceptíveis aos olhos de um leigo, por isto fique muito atento.
É claro que os sinais acima podem derivar de outros motivos e situações, mas se começar a notá-los depois de que o seu animal freqüenta algum lugar, ou quando fica aos cuidados de terceiro, pode ser um indício de algo maior está ocorrendo!
Um exemplo bem prático que posso dar é o caso dos meus cães que se estiverem deitados no chão e alguém se aproximar com uma vassoura, nenhum deles irá correr e sair de lá. São indiferentes ao objeto, sabe por que? Porque nunca apanharam de vassoura ou foram enxotados de um lugar com a ameaça de uma vassoura, portanto não associam o objeto a algo que possa fazer-lhes mal.
Tanto quanto o profissional que comete violência com o seu cão é culpado, o tutor que não atenta para tais fatos acaba sendo também. 

Mas, o que pode ser considerado mal-trato:
Os maus tratos contra animais são definidos no DECRETO Nº 24.645, de 10 de julho de 1934 , que no seu artido 3º define:
"Art. 3º - Consideram-se maus tratos: 
I - praticar ato de abuso ou crueldade em qualquer animal;
II - manter animais em lugares anti-higiênicos ou que lhes impeçam a respiração, o movimento ou o descanso, ou os privem de ar ou luz;
III - obrigar animais a trabalhos excessivos ou superiores às suas forças e a todo ato que resulte em sofrimento para deles obter esforços que, razoavelmente, não se lhes possam exigir senão com castigo;
IV - golpear, ferir ou mutilar, voluntariamente, qualquer órgão ou tecido de economia, exceto a castração, só para animais domésticos, ou operações outras praticadas em benefício exclusivo do animal e as exigidas para defesa do 
homem, ou interesse da ciência;
V - abandonar animal doente, ferido, extenuado ou mutilado, bem como deixar de 
ministrar-lhe tudo que humanitariamente se lhe possa prover, inclusive 
assistência veterinária;
VI - não dar morte rápida, livre de sofrimento prolongados, a todo animal cujo extermínio seja necessário para consumo ou não; 
VII - abater para o consumo ou fazer trabalhar os animais em período adiantado de gestação;
VIII - atrelar, no mesmo veículo, instrumento agrícola ou industrial, bovinos com eqüinos, com muares ou com asininos, sendo somente permitido o trabalho em conjunto a animais da mesma espécie;
IX - atrelar animais a veículos sem os apetrechos indispensáveis, como sejam balancins, ganchos e lanças ou com arreios incompletos, incômodos ou em mau estado, ou com acréscimo de acessórios que os molestem ou lhes perturbem o funcionamento do organismo;
X - utilizar, em serviço, animal cego, ferido, enfermo, fraco, extenuado ou desferrado, sendo que este último caso somente se aplica a localidades com 
ruas calçadas;
XI - açoitar, golpear ou castigar por qualquer forma a um animal caído sob o veículo, ou com ele, devendo o condutor desprendê-lo do tiro para levantar-se;
XII - descer ladeiras com veículos de tração animal sem utilização das respectivas travas, cujo uso é obrigatório;
XIII - deixar de revestir com o couro ou material com idêntica qualidade de proteção, as correntes atreladas aos animais de tiro;
XIV - conduzir veículo de tração animal, dirigido por condutor sentado, sem que o mesmo tenha boléia fixa e arreios apropriados, com tesouras, pontas de guia e retranca;
XV - prender animais atrás dos veículos ou atados às caudas de outros;
XVI - fazer viajar um animal a pé, mais de 10 quilômetros, sem lhe dar descanso, ou trabalhar mais de 6 horas contínuas sem lhe dar água e alimento;
XVII - conservar animais embarcados por mais de 12 horas, sem água e alimento, devendo as empresas de transportes providenciar, sobre as necessárias modificações no seu material, dentro de 12 meses a partir da publicação desta Lei;
XVIII - conduzir animais, por qualquer meio de locomoção, colocados de cabeça para baixo, de mãos ou pés atados, ou de qualquer modo que lhes produza sofrimento;
XIX - transportar animais em cestos, gaiolas ou veículos sem as proporções necessárias ao seu tamanho e números de cabeças, e sem que o meio de condução em que estão encerrados esteja protegido por uma rede metálica ou idêntica, que impeça a saída de qualquer membro animal;
XX - encerrar em curral ou outros lugares animais em número tal que não lhes seja possível moverem-se livremente, ou deixá-los sem água e alimento por mais de 12 horas;
XXI - deixar sem ordenhar as vacas por mais de 24 horas, quando utilizadas na exploração do leite;
XXII - ter animais encerrados juntamente com outros que os aterrorizem ou molestem;
XXIII - ter animais destinados à venda em locais que não reúnam as condições de higiene e comodidades relativas (Eita que isto é só o que existe em Crateús);
XXIV - expor, nos mercados e outros locais de venda, por mais de 12 horas, aves em gaiolas, sem que se faça nestas a devida limpeza e renovação de água e alimento;
XXV - engordar aves mecanicamente;
XXVI - despelar ou depenar animais vivos ou entregá-los vivos a alimentação de outros;
XXVII - ministrar ensino a animais com maus tratos físicos;
XXVIII - exercitar tiro ao alvo sobre patos ou qualquer animal selvagem ou sobre pombos, nas sociedades, clubes de caça, inscritos no Serviço de Caça e Pesca;
XXIX - realizar ou promover lutas entre animais da mesma espécies ou de espécie diferente, touradas e simulacros de touradas, ainda mesmo em lugar privado;
XXX - arrojar aves e outros animais nas casas de espetáculos e exibi-los, para tirar sortes ou realizar acrobacias;
XXXI - transportar, negociar ou caçar, em qualquer época do ano, aves insetívoras, pássaros canoros, beija-flores, e outras aves de pequeno porte, exceção feita das autorizações para fins científicos, consignadas em lei anterior.
Hoje o entendimento é que qualquer caso em que haja ato abusivo, que cause constrangimento ou dor ao animal é mal-trato. A Lei Federal de Crimes Ambientais 9.605/98, em seu artigo 32, Cap. V condena todo aquele que "Praticar ato de abuso e maus-tratos à animais domésticos ou domesticados, silvestres, nativos ou exóticos", com pena de detenção de três meses a um ano, e multa (a pena é aumentada de um sexto a um terço se ocorre morte do animal)."

Quando e onde e como denunciar?
em primeiro lugar investigue. Certifique-se que realmente se caracteriza mal-trato. Procure obter provas (testemunhais, fotos etc). Se for possível procure conversar com o agressor. Procure mostrar que ele está cometendo um crime.  
Denuncie, procure a  delegacia para lavrar um Termo Circunstanciado, em função do artigo citado anteriormente da Lei 9.605/98. Denúncias por telefone podem ser feitas pelo telefone (88) 3692 3504 (Delegacia de Polícia Civil de Crateús), ou, em outros municípios pelo "Disque Denúncia":

SUL
RS - 181
SC - 181
PR - 181

SUDESTE
SP - 181
MG - 181
RJ - (21) 2253-1177 / 0300-253-1177 (Petrópolis)

NORDESTE
BA - 3235-000 (Capital) / 181 (Interior)
SE - 181
AL - 0800-2849390 Polícia Civil / (82) 3201-2000 P.M.
PE - (81) 3421-9595 (Capital) / (81) 3719-4545 (interior)
PB - 197
RN - 0800-84-2999
CE - (85) 3488-7877
PI - 0800-280-5013
MA - 3233-5800 (Capital) / 0300-313-5800 (interior)
TO - 0800-63-1190

NORTE
PA - (94) 3346-2250 / 181
AM - 0800-092-0500
RR - 0800-95-1000
AP - 0800-96-8080
AC - 181
RO - 0800-647-1016

CENTRO-OESTE
MT - 197
MS - 147
GO - 197
DF - 197

É importante que todas as pessoas se conscientizem que o respeito aos animais é uma premissa fundamental para um sociedade saudável e evoluida, e que a práticas de abusos constitui-se um crime. Necessário também se faz que a polícia e a justiça façam a lei ser cumprida e que agressores sejam devidamente responsabilizados e punidos.

Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário

Fontes:
www.arcabrasil.org.br/animais/caes_e_gatos/maustratos.htm
www.educadoracanina.com.br






sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Hora do banho parte 1: Cães

Muitas pessoas ficam em dúvidas quanto ao banho de seus animais de estimação. Neste, e no próximo post vamos nos dedicar exclusivamente a este tema. Hoje, especificamente, vamos tratar do banho de nosso cachorros.
Para começo de conversa, vamos tratar da frequência. Animais com distintos estilos de vida exigem frequência diferenciada de banho. Animais que costumam permanecer em ambientes abertos, com terra, que gostem de escavar vão precisar de uma frequência maior de banhos que um animal que fica apenas dentro de casa. Animais de pelagem longa e ondulada precisam de uma frequência maior de banhos que uma animal de pelagem lisa e curta. De qualquer forma banhos muito frequentes irão remover da pele de seu animal óleos essenciais, necessários à preservação da integridade do pelo, podendo deixá-los ressecados. Uma boa dica para reduzir a frequência dos banhos é a escovação diária dos pelos de seu animal. Desta forma você mantém a pelagem sempre limpa, evita a formação de nós. Para isto utilize escova apropriada. 
O preparo
Antes do banho separe todos os itens necessários. Preferencialmente sem que seu cachorro veja, pois isto poderia deixá-lo ansioso. Você vai precisar:
- Coleira e guia, para contenção de seu animal;
- Xampu: muitas pessoas utilizam xampu "de gente" para banhar os animais. Isto é um erro! o produto deve ser adequado para seu animal. Existe no mercado uma grande variedade de produtos, indicados para as mais diferentes características de seu animal tais como cor do pelo, idade etc. Procure se informar com seu veterinário qual o produto mais indicado para seu animal;
- Bolas de algodão (hidrofóbo): Serão utilizadas na orelha para evitar a entrada de água no canal auditivo. Devem ser de tamanho adequado para seu animal. Bolas muito pequenas podem entrar muito no ouvido de seu animal. Se você não tem algodão hidrófobo utilize 
- Escova macia;
- Pano, toalha limpa ou esponja macia (para limpeza da região do focinho e proximidade dos olhos);
- Toalhas limpas para enxugar seu amigão;
- Secador de cabelo (opcional);
- Escova.
Mãos à obra:
O primeiro passo evidentemente é proteger as orelhas de seu animal. Coloque cuidadosamente as bolas de algodão no canal auditivo para evitar a entrada de água.
A água utilizada no banho deve estar em uma temperatura agradável, nem muito fria, nem quente. O ideal é que a água esteja levemente morna, na temperatura similar à utilizada para dar banhos em bebês!
Comece molhando todo o corpo do animal.  Quando ele estiver completamente molhado, aplique o xampu nas costas de seu animal e massageie suavemente, espalhando por todo o corpo. Para facilitar este trabalho você  pode diluir o xampu em  água, utilizando 1 parte de xampu em 4 partes de água. Deixe o produto agir por alguns minutos. Lave cuidadosamente as patas, cauda e dobras de seu animal. Cuidado para que não caia nenhum produto na boca, olhos e ouvido. Em especial cães  de raça com focinho curto podem aspirar o xampu. Use o pano ou esponja umedecidos (esprema para retirar o excesso de água) limpar e lavar o rosto, e a escova macia para limpar as patas, entre os dedos e nas unhas. 
Finalizando:
No enxague, utilize água em abundância, preferencialmente repita este procedimento para promover a remoção de quaisquer resquícios de produtos de limpeza, que podem ocasionar problemas alérgicos. 
Após o enxágue, vem a secagem. Esta etapa pode ser realizada com uma toalha limpa, e para finalizar a secagem, caso você queira, pode utilizar um secador de cabelo, neste caso coloque-o na temperatura fria e mantenha a uma distância mínima de um palmo (mais ou menos 20 cm) de seu cão. Não se esqueça de retirar as bolas de algodão da orelha de seu animal e complete a secagem da orelha com algodão hidrófilo.
Acabou? Não! Agora é importante que você escove seu animal, com escova apropriada. Isto irá permitir a evaporação da água residual e vai também evitar a formação de nós.
É importante que seu animal não tenha contato com terra ou areia até que esteja com a pelagem completamente enxuta.
Dica: Para que seu cão não crie nenhuma aversão ao banho, torne este momento mais prazeroso. Faça carinho em seu animal, fale com ele durante o banho (tá, vai parecer meio bobo ou maluco, mas funciona!) e ao fim procure oferecer um petisco ou algo que ele goste. 
Agora sim, seu cachorro estará com o pelo limpinho e livre daquele "cheirinho" de cachorro sujo.
ALERTA: Ainda vou falar de tosa, mas uma opção é levar seu animal a uma clínica veterinária  ou pet-shop para tomar banho ou serem tosados (pode ser lá na Amicão mesmo). Muitas vezes, estes procedimentos são trabalhosos e alguns profissionais e estabelecimentos sem ética utilizam tranquilizantes sem prescrição e sem acompanhamento veterinário, colocando a vida de seu animal em risco. Não permita que seu animal tome tranquilizantes para tomar banho ou ser tosado, a não ser que haja absoluta prescrição e acompanhamento veterinário, e mesmo assim questione sempre a necessidade do uso destes artifício, o qual não é recomendável! 

Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário

Imagem:
http://www.onslowcountyvets.com/clients/6044/images/uploads/bubbly_puppy.jpg