Mostrando postagens com marcador dicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dicas. Mostrar todas as postagens

domingo, 3 de junho de 2012

Cuidados com cadelas e gatas prenhes.

Depois de um longo hiato nas postagens, estamos de volta, e hoje um assunto que sempre preocupa os proprietários de cadelas e gatas: a prenhez.
Seja acidental ou planejada, a prenhez é um momento especial na vida de cadelas e gatas. Geralmente, quando há uma prenhez envolvida, é comum que os proprietários se preocupem sobre como agir com seu animal.
Bem, os cuidados com uma cadela ou gata prenhe deve se iniciar antes mesmo da cobertura. Isto mesmo: para reduzir os riscos de complicações na prenhez, e mesmo favorecer um melhor desenvolvimento e a saúde dos filhotes no pós-parto, é importante que a futura mamãe esteja esteja com todas as vacinas em dias, com seu controle de parasitas atualizado e em boa condição de saúde. 
Mas e se ocorreu um "acidente" e você não teve tempo de verificar estes cuidados, ou então, se a vacina "se vence" bem no meio da prenhez, posso vacinar e "dar remédio para verme?" (adoro esta expressão, até parece que os parasitas estão doentes...). A resposta é não, ao menos eu não recomendo. As vacinas, apesar de haver quem afirme que a anti-rábica, por exemplo, possa ser aplicada, precisam de um sistema imunológico hígido para obter um boa efetividade em conferir proteção ao animal, e durante a prenhez, há intensas mudanças no sistema imunológico de cadelas e gatas. As vacinas podem também podem, em alguns casos, provocar problemas aos fetos e até mesmo ocasionar aborto, portanto, eu pessoalmente, não recomendo. O mesmo ocorre em relação aos vermífugos e com produtos para controle de parasitas externos (pulgas, carrapatos etc). Havendo necessidade de tratamento, seu veterinário irá indicar o produto mais adequado. De qualquer forma é importante que todos estes aspectos sejam verificados antes de colocar seu animal para reprodução.
Outra grande preocupação, que vejo também por parte dos proprietários, refere-se à alimentação. Muitos questionam sobre vitaminas, suplementos etc. Neste ponto a única recomendação que eu faço, claro, conforme avaliação clínica, para a grande maioria dos animais é a substituição da ração, de adulto para uma de filhote, preferencialmente ração super premium, não havendo, de um modo geral, necessidade do uso de quaisquer suplementos. Uma outra dica importante é manter sempre água limpa à disposição da futura mamãe.
Quanto às atividades físicas, se você tem o hábito de caminhar com sua cadela, mantenha este hábito. Evidentemente, não se recomenda fazer uma maratona, mas caminhadas leves são recomendadas. À medida que a prenhez avança, reduza aos poucos a carga de exercícios. caminhadas de 20 a 30 minutos são ideais nesta fase. Nas últimas duas semanas de gestação, deve-se isolar a cadela de outros animais, e portanto, encerram-se as caminhadas.
Quanto ao parto, que ocorre no caso das cadelas por volta de 58 a 64 dias, e nas gatas, por volta de 60 a 64 dias do dia da cobertura, de um modo geral não há muto o que se fazer. A grande maioria dos partos são normais, e não necessitam de maior intervenção do proprietário para sua efetivação. A única recomendação que eu faço é a manutenção de um ninho, feito com uma caixa e panos limpos, para que o animal tenha um local limpo e confortável neste momento. 
Os sinais do parto são, de um modo geral, bem evidente: o animal reduz sua ingestão de alimentos, às vezes deixa de se alimentar nas 24 horas que antecedem o parto, pode-se também observar uma queda na temperatura corporal dos animais, em especial nas cadelas. Para esta verificação recomendo a aferição da temperatura retal  diariamente na semana anterior da data prevista para o parto. entre 11 e 16 horas antes do parto, você irá observar uma queda de 1,1 ºC a 1,7 ºC  na temperatura de seu animal.
De um modo geral, como eu já disse, não há necessidade de intervenção no parto, porém caso ocorra alguma complicação, leve seu animal ao veterinário de sua confiança. Desconfie de problemas se:
- A gestação durar mais de 70 dias;
- A temperatura retal caiu há mais de 24 horas e nenhum sinal de parto;
- O animal já apresenta contrações abdominais há mais de 4 horas e não nasce nenhum filhote;
- Animal apresentando dor intensa por longo período.
Pronto, agora cuide bem da mamãe e dos filhotes. Mas sempre vale lembrar que a reprodução deve ser um ato consciente, e que os filhotes irão necessitar de um lugar seguro, que lhes ofereça abrigo, carinho,  alimentação e cuidados. Nunca abandone um filhote, e caso não quera reproduzir, pense seriamente em solicitar a seu veterinário a realização da histerectomia. Não use anticoncepcionais para evitar uma prenhez indesejada (saiba mais aqui).
CURIOSIDADE: Você sabia que uma cadela ou gata pode, em uma mesma prenhez, ser mãe de filhotes de pais diferentes?


Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário


Imagem: 
http://petsci.co.uk/wp-content/uploads/2012/05/wpid-Photo-26-May-2012-1916.jpg

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Enfermidade do Trato Urinário Inferior dos Felinos:Um guia para proprietários


A doença do trato urinário inferior dos felinos(DTUIF) consiste numa variedade de condições que afetam a bexiga e uretra dos gatos.Geralmente os gatos que são afetados por esta enfermidade apresentam dificuldade e dor ao urinar,aumentam a frequência em urinar e também pode haver sangue na urina.Eles tendem a aumentar a lambedura na região do pênis ou vagina e podem apresentar alterações no comportamento,como micção fora da caixa-de-areia,preferindo superfícies frias e lisas,como azulejos e banheiros.
O problema pode afetar gatos de todas as idades,entretanto,animais de média idade,com sobrepeso,sedentários,que alimentam-se de dieta seca,sem acesso externo,são os mais comumente afetados.Alguns fatores como estresse emocional ou ambiental,famílias com vários gatos,mudanças bruscas no dia-a-dia do gato,aumentam o risco do desenvolvimento da DTUIF.
Os principais sintomas são:Esforço para urinar,mantendo-se em posição agachada,sem expelir nada de urina,o que muitas vezes pode ser confundido com constipação ou dificuldade em defecar.Urinar em pequenas quantidades e frequentemente;Dor e choro ao urinar;Lamber-se excessivamente na região genital;Sangue na urina e micção em lugares inapropriados.
Um estágio mais grave da DTUIF é a obstrução uretral,que é o fechamento da passagem de urina da bexiga até o exterior,cujo os sinais são semelhantes,porém o gato não urina quase nada e mantêm-se mais moribundo e dolorido.A obstrução acontece mais em machos,visto que a uretra da fêmeas é de diâmetro mais largo.É importante perceber um quadro de obstrução uretral rapidamente,pois o animal sempre merecerá um tratamento emergencial.
As causas são variadas:Obstruções por cálculos,microcálculos ou" plugs",estes últimos são formados na bexiga pela deposição de microcristais e material inflamatório protéico,o que formam verdadeiros tampões na uretra;Cistite Idiopática Felina,que é uma alteração inflamatória na parede da bexiga,muito associada ao estresse,onde ocorre uma inflamação generalizada na mucosa do orgão,com sangramento,dificultando a contração e a eliminação da urina.Infecções urinárias não são comuns,devido às particularidades da urina do felino,como a alta densidade e osmolaridade,que impede o crescimento de bactérias.Porém,em animais idosos ou com problemas renais devem ser consideradas.
O tratamento depende da causa da DTUIF,mas consiste principalmente em anti-inflamatórios,mudança de manejo ambiental e dietético, e muita hidratação.Em casos mais graves como os obstrutivos, o animal poderá ser internado para sondagens e soroterapia intensiva.Em alguns quadros mais graves e repetitivos,poderá ser necessário um procedimento cirúrgico denominado "uretrostomia",que é uma nova abertura uretral,com amputação peniana.É muito importante levar o gato rapidamente ao veterinário,evitando dar medicações,pois qualquer erro ou demora as consequências podem ser fatais.
Existem algumas formas de prevenir e tentar diminuir as crises ou o aparecimento desta enfermidade,que consistem em medidas simples,como:Aumentar a frequência de alimentação,em pequenas quantidades diárias;Consultar a um médico-veterinário para conhecer a dieta mais indicada para seu felino;Preferencialmente oferecer dietas úmidas(enlatadas);Água fresca e abundante em várias partes do ambiente;Quantidade de liteiras compatível e suficiente para todos os gatos da casa,preferencialmente uma a mais que o número de habitantes.Estas caixas-de-areias devem permanecer limpas e em lugares tranquilos e seguros.Deve-se evitar mudanças ambientais bruscas e minimizar todo o tipo de estresse.O enriquecimento ambiental é também importante,devendo-se proporcionar alternativas,jogos e atividades para os animais.

*Baseado no informativo da American Veterinary Medical Association(www.avma.org)
 
Este artigo foi gentilmente cedido pelo Dr.  Reginaldo Pereira de Sousa Filho, Médico-Veterinário  CRMV-CE 1589 - Pós-Graduação em Clínica de Felinos -UCB/RJ
Recomendamos  o blog medfelina.blogspot.com

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Consulta veterinária: como colaborar e aproveitar ao máximo este momento.

A consulta veterinária é um ato fundamental para o seu animal, seja na promoção da saúde e do bem-estar, prevenção ou cura de doenças, ou ainda, na sua reabilitação. Tenho observado uma série de atitudes/comportamentos dos proprietários de animais que acabam interferindo de forma negativa neste importante momento, ou tornando-o menos produtivo ao profissional e proveitoso ao animal e seu proprietário.
Para começo de conversa: não existe consulta por telefone, tão pouco "olhadinha". Consulta é consulta. O telefone pode ser uma importatne aliado em caso de urgência, pode até salvar a vida de seu animal, porém, não deve, e nem pode ser utizado para consultas. Outro ponto importante é que a consulta deve ser, sempre que possível, previamente agendada. Isto evita que você, e seu animal, dê uma viagem perdida (nem sempre seu veterinário estará disponível para atendê-lo).
Mas, quando levar seu animal para uma consulta veterinária? Infelizmente muitas pessoas procuram atendimento veterinário apenas quando o animal está doente. Na verdade há vários momentos em que se faz necessário procurar atendimento/orientação veterinário, recomanda-se, no mínimo uma visita anual, mesmo que seu animal esteja saudável e, evidentemente, sempre que houver alguma anormalidade.
É também frequente que pessoas que não tem nenhum contato como animal o leve à consulta. Isto é um erro! É fundamental que alguém que conheça bem o animal, e , no caso de doenças, possa prestar todas as informações necessárias. Esta pessoa deve ser também capaz de auxiliar na contenção do animal de forma adequada, bem como auxiliar em algum procedimento clínico que se faça necessário. A presença de alguém conhecido deixa também o animal mais calmo e facilita bastante o seu manejo. Antes de levar seu animal para um consulta atente para os seguintes pontos:
- Traga sempre consigo: carteira de vacinação, exames que por ventura o animal tenha feito, receitas de medicamentos que esteja tomando (ou tenha tomado recentemente), produtos que utiliza e quaisquer outras informações que julgue necessárias e/ou possíveis. Alguns proprietários falam coisas do tipo: "está tomando aquele remedinho da caixa de tal cor" ou então "aquele comprimido pequenininho branco", achando que o veterinário vai adivinhar qual o medicamento apenas por suas características, o que é impossível! De preferência mantenha um arquivo ou pasta com estes dados e leve-o sempre à consulta.
- Se seu animal está doente, procure lembrar-se de todas as informações sobre o quadros clínico: quando iniciou, a cronologia dos sintomas (quais sintomas surgiram primeiro, quais vieram depois), características dos sintomas (por exemplo, se há diarreia: consistência, cor, odor, frequência etc, se há lesões na pele: como começou, qual a aparência inicial, como evoluiu etc);
- Seja sincero. Não esconda sintomas nem oculte informações. me lembro uma vez em que eu questionei o que o animal comia e a proprietária categoricamente falou que "somente ração, da marca tal" e logo em seguida o cachorro vomitou feijão.  Às vezes, ainda, o animal chega em estado praticamente terminal e o proprietário relata: "começou ontem" e você percebe que o quadro tem vários dias de evolução. Mentiras e informações incompletas podem colocar a vida de seu animal em risco, portanto, não se envergonhe em falar a verdade! 
- A consulta veterinária é uma atividade de grande concentração, exercício mental e raciocínio para o clínico, o qual precisa, a partir de informações fornecidas pelo proprietário, avaliação de um paciente que "não fala" (não de forma verbal) chegar a um diagnóstico ou a um direcionamento de conduta. Muitas vezes este processo é abruptamente interrompido por um telefone. Portanto, se possível, no momento da consulta, mantenha seu celular desligado ou no modo silencioso. Já tive que aguardar quase 15 minutos um cliente desligar o celular para poder continuar a consulta;
- Pergunte! Tire todas as suas dúvidas! Converse com seu veterinário, crie um vínculo de confiança mútua. Você tem que ter segurança no profissional que está atendendo seu animal e ele precisa saber que pode confiar nas informações que você está fornecendo e que irá seguir corretamente as orientações e/ou prescrições que forem realizadas;
- Não falte às consultas de retorno quando estas forem solicitadas (elas são importantes para o acompanhamento de seu animal). De um modo geral as consultas de retorno para um determinado caso clínico são agendadas no prazo de até trinta dias, no caso de problemas dermatológicos e outras doenças, este prazo poderá ser maior. Estas consultas de retorno para um mesmo caso clínico, de um modo geral, não devem ser cobradas. Mas também não vá querer que um problema de pele gere um consulta de retorno, por exemplo, para uma fratura. Como o próprio nome diz, a consulta é de retorno, para um caso já atendido, não para uma nova doença!
Faça da consulta um momento de saúde e de conhecimento. Você, seu veterinário,e principalmente, seu animal só terão a ganhar!

Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário

Imagem: http://babyology.com.au/wp-content/uploads/2011/11/vetcamp.jpg


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O antes e o depois da cirurgia: saiba como cuidar de seu animal.

Hoje me chega um cliente e  pergunta se poderia vir a qualquer momento na clínica que eu faria a castração de seu cachorro. Eu então fui explicar para ele  que neste caso não, que seriam necessários alguns cuidados etc... etc... Foi uma conversa rápida, mas acho que consegui ser claro... Bem, resolvi escrever esta postagem, pois acho importante  orientar os proprietários (lá se vem novamente este termo, que, como eu já expliquei anteriormente, não me agrada muito...) sobre os cuidados ligados a procedimentos cirúrgicos. Muito provavelmente seu animal vai, em algum momento passar por um procedimento cirúrgico, seja por questões de bem estar e saúde, como é o caso das castrações, histerectomia, ou então para tratamento de uma doença. 
Uma cirurgia se dá essencialmente de duas formas: planejada e com alguma antecedência, mesmo que de poucos dias, ou então de forma emergencial, quando você não terá condições nem tempo de prepará-lo adequadamente par o procedimento. Então daí vem a primeira dica: mantenha seu animal sempre com calendário de vacinação e controle de parasitas em dias! Animais com parasitas tem um processo de recuperação em pós operatório geralmente mais demorado e com maiores riscos de complicações, assim manter seu animal livre de pulgas, carrapatos e vermes é fundamental para evitar doenças e mantê-lo sempre em melhores condições para uma eventual cirurgia. Quanto à vacinação, se faz importante pois o estresse pós-cirúrgico pode reduzir a capacidade imunológica de seu animal e ele pode mais facilmente contrair alguma doença infecciosa, então mantenha as vacinas de seu pet sempre em dia.
Se o procedimento pode ser agendado e você tem tempo para se preparar e preparar seu animal, alguns cuidados devem ser tomados (vou considerar que seu veterinário já solicitou os exames pré-operatórios, fez todas as avaliações clínicas necessárias...): 
- Sendo necessário, de 4 a 5 dias antes do procedimento, mande tosar seu animal. Não deixe para fazer isto na véspera. Na véspera da cirurgia, seu animal deve evitar sair de casa (exceto para fazer as necessidades - lembre-se de recolher as fezes de seu animal, colocá-las em saquinhos plásticos, amarrar a boca do saco e entregar na coleta de lixo). 
- Se possível dê, em casa mesmo, um banho em seu animal na véspera do procedimento;
- Durante o procedimento de anestesia (e portanto esta dica serve também para procedimentos como remoção de tártaro) seu animal pode apresentar vômito, que além de poder gerar contaminação, se aspirado e causar graves danos à saúde de seu animal. Para minimizar este risco, você deve deixar seu animal em jejum alimentar, pelo menos, 12 horas  antes do horário agendado para o procedimento, porém a água deve ser mantida à disposição de seu animal. 6 horas entes do procedimento deve retirar também a água;
- Seu veterinário pode também prescrever algum medicamento específico, em especial antibióticos para serem dados na véspera da cirurgia;
No dia da cirurgia chegue com seu animal no horário combinado. Lembre-se que há um profissional que estará deixando de marcar outros procedimentos ou deixando de realizar outras atividades aguardando você e seu animal. A pontualidade também é importante para que haja tempo hábil para os preparativos pré-operatórios;
- Durante o transporte procure manter seu animal calmo. Evite levá-lo à pé. O transporte deve ser tranquilo e confortável;
- É importante que você converse sempre com seu veterinário. Tire todas as dúvidas, os riscos (é todo procedimento , em especial os cirúrgicos, tem risco) Informe-se. Questione como será a anestesia, como será o procedimento. pergunte! é um direito seu.  
O pós operatório exige ainda maiores cuidados:
- Seu animal, retornando da anestesia vai estar sonolento, poderá urinar, defecar ou mesmo vomitar. Procure entretanto mantê-lo sempre limpo. Nas primeiras 24 horas, procure manter seu animal em local limpo, tranquilo e silencioso. Evite que pessoas ou e mesmo outros animais venham importuná-lo;
Mantenha seu animal devidamente agasalhado com um pano. Evite deixá-lo diretamente m contato com o chão;
- Não tente fazer com que seu animal coma contra sua vontade. O efeito residual dos anestésicos podem fazer com que seu animal vomite. A primeira refeição deve ser dada apenas 12 horas após a cirurgia;
Atente para a medicação prescrita por seu veterinário. Verifique sempre a dosagem, frequência e duração do tratamento. NUNCA forneça medicamentos por conta própria;
A maioria dos animais vai tentar lamber suas feridas, mas eventualmente irá se acostumar com os pontos. Se ele insistir ou caso seu veterinário recomende utilize o colar elizabetano;
Procure manter seu animal, em especial nos 7 primeiros dias, contido em espaço no qual não faça nenhum grande esforço (pular, correr etc.) a fim de evitar ruptura dos pontos;
- Para a realização de curativos, dê preferência a pomadas e sprays, e utilize conforme orientação de seu veterinário. Evite cobrir a cicatriz cirúrgica, a não ser que seu veterinário recomende;
- A retirada de pontos deve ser realizada em torno de 10 ou 11 dias, ou conforme orientação de seu veterinário.

Tomando estes cuidados seu animal vai se recuperar mais rapidamente e de forma mais tranquila, reduzindo os riscos de complicações.


Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário


Imagens: 
http://www.abbeyvillevet.ie
http://2.bp.blogspot.com





segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Primeiros Socorros (Parte 3): Envenenamentos

Envenenamentos podem ocorrer de diversas formas (ingestão, inalação ou absorção pela pele), e causar, conforme o agente tóxico, sintomas extremamente variados. O período que o animal pode levar para manifestação dos sintomas também é variável , podendo ir de poucos minutos vários dias. O envenenamento pode ocorrer ainda de forma intencional ou acidental. 
Dentre os principais produtos causadores de intoxicação em cães e gatos, destacam-se:
Medicamentos:
Muitos medicamentos podem ser tóxicos para animais, e mesmo dentre espécies há raças que podem ser sensíveis a determinados medicamentos. Cuidado, portanto para não dar medicamento por conta própria para seu animal (paracetamol, Ácido Acetil Salicílico (AAS, melhoral,  asprina etc), ivermectina, diclofenaco, ivermectina são apenas alguns medicamentos que podem apresentar elevador grau de toxicidade para seu animal. Portanto, não custa lembrar: NUNCA forneça medicamentos sem orientação médico veterinária e mantenha remédios longe do alcance, não apenas de animais, mas também de crianças; 
Produtos carrapaticidas
Produtos para controle de pulga e carrapato: muitas vezes proprietários não orientados adequadamente ou mesmo por conta própria podem utilizar produtos destinados ao controle de pulgas e carrapatos de forma errada, e isto pode levar a quadros de intoxicação. Pode ocorrer também quadros te intoxicação pela utilização de produtos inadequados (uma vez atendi um cão cujo dono havia utilizado Baygon para combater carrapatos (Por favor não façam isto!). Procure sempre orientação médico veterinária para uso adequado de produtos destinados ao controle de pulgas e carrapatos (saiba mais);
Inseticidas
São comuns os casos em que os animais tem contato com produtos inseticidas após aplicação destes no ambiente. Seja pela ingestão de resíduos dos produtos em bebedouros, vasilhames de comida, ou mesmo pelo contato direto com o produto no ambiente. Por isto tenha cuidado ao fazer uso deste tipo de produto. Procure sempre orientação profissional. Esta é uma medida de segurança para seus animais, para você e para sua família!
Rodenticidas (venenos para ratos)
São também bastante comuns os casos de intoxicação com rodenticidas. Nem, tanto com os produtos mais modernos, pois seu sabor, de um modo geral, e desagradável, porém ainda é comum a prática do uso de produtos como "chumbinho" "mil gatos" e vários outros produtos cuja venda hoje é proibida no Brasil, porém são facilmente encontrados no comércio. A composição destes venenos é muito variável, indo de estricnina (produto altamente tóxico) a misturas de diversos produtos, o que torna estes produtos extremamente perigosos. Não utilize produtos como chumbinho para o controle de roedores, sua efetividade é limitada, pois mata apenas alguns poucos indivíduos, e há um grande risco de envenenamento para animais e seres humanos, em especial crianças. Vale ressaltar ainda que estes produtos são geralmente os utilizados por criminosos nos casos de envenenamento proposital de animais;
Produtos de limpeza
Desinfetantes, detergentes, água sanitária, desentupidores (soda caustica, ácido muriático etc) dentre outro, são substâncias comuns ao ambiente doméstico. O problema que que estes produtos podem se acidentalmente ingeridos por seu animal causando graves danos à saúde. Igualmente ao recomendado para os medicamentos, mantenha produtos de limpeza em local de difícil acesso para crianças e animais
Alimentos
Esta é boa para as pessoas que gostam de dar "comidinhas" para seu animal. Muitos alimentos humanos podem ser tóxicos para os animais: muito cuidado com chocolate, passas, uvas, nozes, cebola, alho... O ideal é oferecer para ração de qualidade, e , eventualmente, algum petisco ou biscoito próprio para animais. Algumas frutas podem entrar no cardápio, porém em pequenas porções (não oferecer frutas cítricas).
Plantas
Algumas plantas ornamentais, tais como comigo-ninguém-pode, espirradeira, babosa (Aloe vera), amarilis, mamona, copo de leite, espada de são jorge dentre outras podem conter compostos potencialmente perigosos para seu animal. O ideal é que, quando da escolha de plantas ornamentais procure se informa sobre os riscos, evitando-se adquirir plantas tóxicas.
Quais os sintomas de envenenamento?
Os agentes tóxicos são muito variados, e portanto os sintomas também o são. De um modo geral, animais envenenados apresentam alguns dos seguintes sintomas:
- Alteração de da consciência (agitação, sonolência e, às vezes, coma);
- Salivação intensa;
- Vômitos;
- Dor abdominal;
- Hemorragias;
- Tremores;
- Dilatação ou contração da pupila;
- Dificuldade para respirar;
- Alteração dos batimentos cardíacos.
O que fazer?
Em primeiro lugar: mantenha a calma!
O procedimento varia conforme o tipo de produto:
- Plantas e medicamento: provoque o vômito;
- Não provoque vômito se: seu animal estiver inconscientes ou se o agente causador for algum derivado de petróleo, ou algum produto cáustico ou corrosivo (para provocar vômito utilize água oxigenada 3%: uma a 5 colheres de café, ou ainda sal de cozinha, 1 a 3 colheres de chá para cães)
- Se o seu animal estiver sujo com o produto ou com o vômito contendo o agente tóxico, banhe-o com água levemente morna e sabão de coco (não utilize sabonete pet com produtos carrapaticidas nem nada do tipo);
- Se houver convulsões, procure manter o animal protegido de  ocasionar auto-lesões se debatendo. Coloque-o em local confortável;
- Procure identificar o agente tóxico. Se tiver embalagem, leve-a com seu animal a um médico veterinário;
- Leve seu animal imediatamente a um médico veterinário. 
- Caso haja suspeita de envenenamento proposital: DENUNCIE! Procure a polícia e faça um boletim de ocorrências.




Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário


Imagem:http://4.bp.blogspot.com/FMPyQCqP7I/Th9Kmh85HtI/AAAAAAAAB4I/4lJgh8ydKrA/s320/socorro_caes_gatos2_116111151513125.jpg

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Primeiros Socorros (Parte 2): Ressuscitação Cardio-pulmonar (RCP)

Colocando a mão na frente da boca e focinho,
tente sentir se o animal respira
Então, após um choque elétrico, atropelamento, queda, afogamento, atropelamento, queda, traumatismos graves, engasgo ou alguma outra condição, você não consegue perceber a respiração de seu animal (pela movimentação do abdome do animal, ou pelo tato, colocando sua mão em frente à boca e ao focinho do animal), ou ainda o mesmo está sem os batimentos cardíacos (a melhor forma de verificar se o coração de seu animal está batendo é colocando a mão sobre o lado esquerdo do peito do animal). O que fazer?
Assim como ocorre com os seres humanos, a ressuscitação cardio-pulmonar é uma medida que pode  salvar a vida de seu animal. 
Verifique os batimentos do coração de seu animal.
Em caso de parada respiratória e/ou cardíaca  você precisa seguir alguns passos:

Passo "A" - Abertura das Vias Aéreas

Se seu animal não consegue respirar, o primeiro passo é manter  as vias aéreas livres para a passagem de ar. Siga os seguintes passos:

I. Cuidadosamente puxe a língua de seu animal para fora da boca (Atenção: mesmo animais inconscientes podem morder! Tenha cuidado ao realizar este procedimento);
Soprando pelas narinas, verifique
se há livre passagem de ar
II. Tente colocar a cabeça de seu animal esticada e  alinhada com a coluna (Atenção: Cuidado para não causar um hiperextensão da coluna em caso de trauma na cabeça ou coluna);
III. Segure a boca de seu animal, mantendo-a  fechada. Sopre fortemente duas vezes pelas narinas, para verificar se há livre passagem de ar;
IV. Se não houver passagem de ar, inspecione a boca de seu animal, procure verificar se há algum objeto impedindo a passagem de ar. Se identificar algum objeto, tente removê-lo.
Como realizar a Manobra de Heimlich em
gatos e cães de pequeno porte 
V. Se há algum objeto que você não consegue remover, proceda à Manobra de  Heimlich: Para cães pequenos e gatos, segure-o com as costas junto a seu corpo e pressione firmemente a caixa torácica para que ele possa expelir o objeto. Para animais de grande porte, segure-o pelo abdomem, envolvendo-o com ambos os braços e pressione firmemente e pressione com firmeza para promover a expulsão de algum corpo estranho das vias respiratórias. 
Manobra de Heimlich em animais
de médio e grande porte
VI.  Proceda novamente o procedimento descrito no item III. Se  a passagem de ar estiver desobstruída vá para o o passo "B", caso contrário repita a Manobra de Heimlich.

Passo "B" - Boca / Focinho (respiração)


Vias respiratórias livres,é hora de fazer respiração mecânica no seu animal. Para isto basta repetir o item III do passo "A", na velocidade de 1 expiração a cada 5 segundos (12 expirações por minutos). Após cada expiração feita, comprima o abdome do seu animal para esvaziar o pulmão (1 respiração boca/focinho => 1 compressão abdominal). Cuidado para não inflar excessivamente o animal (em especial se for de pequeno porte), e caso constate obstrução retorne ao passo "A". Caso as as vias aéreas estejam livres, concomitantemente proceda com o passo "C".


Passo "C" - Circulação


Proceda então, caso haja parada cardíaca, à massagem. Muitas pessoas acreditam que a massagem cardíaca serve apenas para fazer o "coração voltar a bater". É verdade que o estímulo da massagem pode possibilitar o retorno dos batimentos cardíacos, porém o papel mais fundamental da massagem cardíaca é possibilitar a circulação do sangue. Cada vez que se massageia o coração, ele se "esvazia ", lançando sangue na circulação,   e se enche em seguida, mantendo o sangue circulando. Com isto, reflexamente, ele pode voltar a bater (o que nem sempre ocorre!).
I. coloque o animal em decúbito lateral , com o lado esquerdo voltado para cima;
II. Coloque a palma da mão sobre o coração do animal, no caso de cães pequenos e gatos, pode utilizar a ponta dos dedos;
III. Faça uma pressão rápida e firme, e em seguida solte. Proceda  esta ação na velocidade de        na velocidade de 15 compressão em um espaço de tempo estimado de 10 segundos alternadas com 2 respirações boca/focinho (lembrar de após cada expiração, comprimir o abdome de seu animal).
O esquema fica, mais ou menos, da seguinte forma: 1 respiração boca/focinho => 1 compressão abdominal / 1 respiração boca/focinho => 1 compressão abdominal / 15 massagens cardíacas  em 10 segundos / 1 respiração boca/focinho => 1 compressão abdominal ...
Massagem cardíaca
Continue realizando estes procedimentos durante o trajeto até a clínica ou até a chegada de um veterinário. 


Se não houve como levar se animal a um veterinário, não conseguiu entrar em contato com algum, ou demore a chegar,  a ausência de respiração e batimentos cardíacos espontâneos após 30 minutos, as chances de seu animal são praticamente nulas.


Só para lembrar: tratando-se de seres humanos, os estudos mais modernos colocam como prioridade a massagem cardíaca, antes mesmo da respiração "boca-a-boca". Para saber mais sobre reanimação cardiopulmonar em seres humanos acesse: http://www.cb.ce.gov.br/index.php/listanoticias/14-lista-de-noticias/609-reanimacao-cardio-pulmonar-


Juracir Bezerra Pinho
Médico veterinário




Imagens:
http://www.theinternetpetvet.com
http://theblade.biz

-

domingo, 16 de outubro de 2011

Primeiros socorros (parte 1): Aspectos gerais

São muitas as circunstância nas quais o seu animal pode necessitar de cuidados imediatos. A estes cuidados chamamos de primeiros socorros. Este é o primeiro de uma série de posts nos quais procurarei  descrever os procedimentos básicos de primeiros socorros para cães e gatos. Serão dicas simples, porém poderão salvar a vida de seu animal. E sempre vale lembrar: após os primeiros socorros, seu animal invariavelmente irá necessitar de avaliação e acompanhamento veterinário.

Para começar vamos a 3 regrinhas gerais:


1º Mantenha a calma: O desespero pode levar o proprietário a tomar medidas prejudiciais à saúde e colocar em risco a vida do animal.


2º Você não vai conseguir ajudar seu animal, ou qualquer outro animal, se você também estive necessitando de socorro, portanto, se sua saúde ou integridade se encontra em risco, preserve-se. Se necessário, remova o animal para local seguro. Esta dica é válida por exemplo, em caso de atropelamentos, quando, prestar socorro ao animal no meio da rua pode colocar sua vida, a do animal e a segurança do trânsito em risco, ou ainda em casos de choques elétricos: desligue a corrente elétrica antes de tentar salvar seu animal. Incêndios, desmoronamentos e outras circunstâncias de alto risco exigem precaução extrema dos proprietário ou da pessoa que está tentando salvar um animal..

3º Entre em contato com seu veterinário: ele vai lhe orientar adequadamente sobre o que fazer para a situação específica em que seu animal se encontra.


Emergência X Urgência


Muitas pessoas não sabem diferenciar um caso de emergência para urgência! Sim, se você não sabia emergência é diferente de urgência.


Emergência é uma condição em que há risco eminente à vida de seu animal,. havendo necessidade de atendimento imediato ( por exemplo: hemorragias, parada cardíaca e/ou respiratória, envenenamento, atropelamento, choque elétrico, etc)


Urgência são casos de menor gravidade, que podem aguardar um pouco por atendimento, porém, este atendimento deve ser realizado antes que haja complicações mais graves (vômito e/ou diarréia, convulsões, infecções de útero (piometra), convulsões etc)


Como manuser um animal ferido, machucado ou doente?

Atenção: animais feridos, doentes, com medo e/ou, confusos podem morder, mesmo seu cãozinho ou gato, dócil e amável normalmente, pode, em caso de injúrias lhe morder ou arranhar. por isto tenha todo cuidado.

Como amordaçar um cão
  • Não abraçe um animal ferido. Esta atitude, muitas vezes adotada pelos proprietávios visando dar conforto ao animal pode fazê-lo sentir ainda mais dor, e pode lhe expor a uma mordida ou arranhadura, além de, dependendo do caso, agravar a condição do animal;
  • Qualquer manuseio deve ser feito lenta e gentilmente. Em caso de agitação ou demonstração de desconforto, para imediatamente;
  • Se necessário, e apenas se seu animal não estiver vomitando e sem dificuldade de respirar, faça uma mordaça. Isto irá reduzir os riscos de você ser mordido e faciclitará o atendimento do seu animal quando de sua entrada na clínica veterinária.
    • Cães podem ser amordaçados com fitas, gravatas, tiras de tecido, corda macia ou outro produto que não cause lesão ao seu animal (nunca utilizar arames nem fios!)
    • Gatos ou cães de focinho curto podem ser, gentilmente, envoltos em um lençol grosso ou fronha, cobrindo-lhes também os olhos. Com isto você evita movimentação, agressão, e oferece conforto ao animal, porém, tenha sempre cuidado para que não haja prejuízo à respiração e ao bem estar do animal.
    Lembre-se: NUNCA amordace um animal que esteja vomitando!
  • Se possível, e em especial, se houver sangramento, ou fratura, procure estabilizar o quadro com uma bandagem.
  • Durante o transporte, procure restringir o espaço do animal, para evitar  danos adicionais. Em caso de inconsciência ou trauma, procure transportá-lo deitado, lateralmente, com a área mais afetada voltada para cima.  Se possível, utilize caixa de transporte. No caso de transporte de animais deitados, procure apoiá-lo sobre uma superfície firme (tábua, porta etc).  
Nos próximos posts, detalharei algumas orientação gerais para situações específicas. Fique atento, sua atitude pode salvar a vida de seu animal.




Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário




Imagens: 
http://www.sfgate.com/blogs/images/sfgate/pets/2009/09/24/pet_first_aid_dog400x313.jpg
http://www.animalwelfarenetwork.org/images/graphic_tapemuzzle.jpg