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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Parvovirose canina

Tenho atendido nos últimos dias vários casos de parvovirose canina então resolvi escrever este post para prestar alguns esclarecimentos sobre esta grave doença.
A Parvovirose canina é uma doença aguda (de início repentino), altamente contagiosa de canídeos em geral causada por um vírus (da família Parvoviridae) e que foi descrita pela primeira vez no início de 1970. No Brasil os primeiros relatos datam de 1980. Hoje esta doença possui distribuição mundial.
Suscetibilidade: Acomete canídeos domésticos e silvestres (cães domésticos, raposas, cães do mato, lobo-guará, etc). No caso dos cães domésticos há uma maior suscetibilidade (maior risco de contaminação) em cães das raças  rottweiler, doberman, pinscher, labrador, pastor alemão e pit bull. Outro importante fator de risco é a idade, uma vez que esta doença acomete principalmente filhotes. A ocorrência de verminoses ou de outras patologias podem agravar severamente o risco de contaminação e a gravidade da doença.
Transmissão: Parvovirus canino é altamente contagioso e mortal. Ele pode sobreviver por até um ano no ambiente contaminado ou em em objetos, como roupas, sapatos tigelas, brinquedos ou mesmo no chão. A infecção se dá pelo contato direto do animal com fezes, superfícies ou objetos contaminados.
Incubação: O período de incubação (que vai do contágio ao surgimento dos primeiros sintomas) é, em média de 3 a 4 dias.
Sintomas: Os principais sintomas da parvovirose são:
- Vômitos;
- Diarréia (muitas vezes com sangue e com odor fétido).
- Febre alta;

- Depressão;
- Falta de apetite;
- Desidratação severa.
Durante a fase aguda da doença são comuns também a ocorrência de infecções secundárias por bactérias e outros vírus.
Em alguns casos, especialmente filhotes com menos de 8 semanas o vírus pode também acometer o músculo cardíaco, neste caso, o filhote pode apresentar  dificuldade de respirar, batimentos cardíacos irregulares e fraqueza. 
Muitos cães acometidos podem também não apresentar sintomas, porém estes animais são competentes na transmissão da doença.
A letalidade é alta, alguns estudos apontam em torno de 80%, porém a gravidade depende muito do estado imunológico do seu animal.
Devido a gravidade, qualquer casos suspeito de parvovirose deve ser imediatamente encaminhado a um médico veterinário. a mote do animal pode ocorrer em questões de poucos dias ou mesmo de horas.
Tratamento: O tratamento é essencialmente sintomático, com reidratação, antibióticos para evitar infecções oportunistas e medicamentos de suporte. O animal deve ficar em isolamento, e não deve ter acesso a locais de difícil higienização (terra, gramados etc) para evitar a contaminação do ambiente. 
Prevenção: 
A vacinação (já escrevi uma postagem sobre este assunto, informe-se mais aqui) é o principal meio de prevenção da parvovirose. O filhote precisa tomar, inicialmente, três doses da vacina, com intervalos de 21 a 30 dias (conforme a vacina ou prescrição veterinária) e revacinação anual. Raças mais suscetíveis podem necessitar de uma quarta dose inicial.
Recomenda-se que cadelas sejam revacinadas no período de 1 a 2 meses antes de serem postas em reprodução, com isto aumenta-se os níveis de anticorpos no leite, conferindo maior proteção aos filhotes.
Filhotes devem evitar sair em público até que estejam com cerca de seis meses de idade, quando sua imunidade está plenamente desenvolvida.
Mesmo se um cão se recuperou de parvovírus, ele ainda pode excretar o vírus em suas fezes. Por esta razão, você não deve deixar seu cão cheirar e principalmente comer fezes de outro cão, já que esta é uma das formas mais comuns contaminação.
Evite que seu filhote tenha contato com outros cães, que não tenha acesso à rua como posto anteriormente.
O parvovirus é resistente à maioria dos desinfetantes comuns e ao calor. A desinfecção de ambientes e utensílios potencialmente contaminados deve ser feito com água sanitária (meio litro de água sanitária em 15 litros de água limpa) a qual deve ser mantida no ambiente por, no mínimo, 20 minutos. Após este tempo deve-se fazer o enxágue. 
Após a ocorrência de um caso, mesmo adotadas todas as medidas de desinfecção, recomenda-se um período de 30 dias para introdução de novos animais.


Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário

Imagens:
http://www.cutepuppiesforsale.net/wp-content/uploads/2010/04/Puppies-For-Sale-2.jpg http://www.stanford.edu/group/virus/parvo/2000/Canineparvo.jpg
http://www.bestvetstore.com/wp-content/uploads/2010/05/parvo-300x200.gif

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Toxoplasmose, mulheres grávidas e gatos.

Semana passada, conversando com uma amiga, grávida,  que estava com seu gatinho em tratamento em função de uma gastroenterite, falávamos sobre os temores que rodeiam a gravidez, em especial quando a gestante possui gatos ou tem contato frequente com estes animais. 
Injustamente, por puro preconceito ou desconhecimento, inclusive, em muitos casos, repassados mesmo por médicos e outros profissionais de saúde, a gestação é motivo para abandono e/ou afastamento de animais inocentes. E a principal causa deste tabu: a Toxoplasmose.


Mas o que é a toxoplasmose?
É uma doença causada por um parasita Toxoplasma gondii, parasita presente em alguns gatos e transmitido para o homem por meio da ingestão de uma das formas infectantes do parasita : oocistos, bradizoítos contidos em cistos e taquizoítos.
Os gatos se infectam quando ingerem a carne de animais (ratos, aves etc.) contendo cistos na sua musculatura. Após um período, o gato infectado passa a liberar, por um período de 15 dias (e apenas durante este período) oocistos nas fezes e urina. Estes oocistos,a princípio, não são capazes de causar infecção, necessitando de 2 a 5 dias para se converter na forma infectante.
Transmissão para o ser humano
No Brasil estudos, realizados em diversos estados apontam que de 30 a 70% da população tem titulação de anticorpos para a toxoplasmose. A transmissão da toxoplasmose para os seres humanos ocorre:
- Na alimentação:
Estudos apontam que esta via de transmissão correspondem a ela ingestão de alimentos contaminados, em especial, verduras e legumes mal higienizados, carnes cruas ou mal cozidas ou assadas, leite e queijo não pasteurizados. Nos alimentos, a contaminação também pode ocorrer pela chamada "contaminação cruzada" que ocorre pelo uso de utensílios em alimentos contaminados, e posterior uso destes mesmos utensílios em alimentos não contaminados. Há registros de transmissão por água contaminada. A via alimentar, pela ingestão de formas contaminantes de transmissão corresponde a forma mais comum de contágio.
- Por via congênita (da mãe para o feto)
Uma mulher infectada durante a gestação, pode transmitir para o feto o parasita. Neste caso vale ressaltar que o problema não está naqueles casos em que a mulher já era portadora do parasita antes da gravidez, nestes casos, o próprio organismo da mulher se encarrega de manter os parasitas sob controle, protegendo assim o feto. O problema está naquelas que adquirem a doença durante o período gestacional. Neste caso, há o risco de transmissão para o feto.  
- De animais para seres humanos
Apesar de der a forma mais temida, é a menos provável, São considerados casos raríssimos (improváveis) de transmissão. Isto ocorre pois os oocistos precisam de 2 dias no a ambiente para se tornarem infectantes. Assim,  torna-se muito difícil (praticamente impossível) que um animal, como um gato, possa transmitir diretamente ao parasita para uma pessoa.
- Outras formas raras
Algumas outras circunstâncias podem ocasionar a transmissão da toxoplasmose, tais como: transfusão sanguínea, acidentes em laboratório com material contaminado, transplantes de órgãos. Até algum tempo as fezes de pombos eram postas como fonte de contaminação, hoje estudos apontam que apenas o consumo da carne crua destas aves pode transmitir esta doença.
Quais os sintomas?
No homem, menos de 10% das pessoas infectadas apresentam algum sintoma. As manifestações clínicas mais comuns são comuns a várias doenças, nos poucos casos sintomáticos pode-se observar a maioria dos casos o aumento dos linfonodos (ínguas). Os sintomas muitas vezes se restringem a isto, porém em alguns casos raros podem ocorrer  febre, dores nos músculos e articulações, cansaço, dores de cabeça, dor de garganta, surgimento de pontos avermelhados por todo o corpo - como uma alergia, urticária e aumento do fígado e do baço; menos comumente ocorre inflamação do músculo do coração.  Apesar de, na maioria das vezes estes gânglios desaparecerem espontaneamente, em alguns casos podem durar meses, bem como o cansaço e a fadiga.
Uma forma menos benigna de acometimento dos pacientes com imunidade normal é a inflamação da retina (corioretinite).
Quando a transmissão ocorre por via placentária, pode ocorrer:
1º trimestre: aborto
2º trimestre: Síndrome ou Tétrade de Sabin
. coriorretinite: 90% dos casos
. calcificação cerebral: 69% dos casos
. perturbação neural: 60% dos casos
. micro e macrocefalia: 50% dos casos
3º trimestre: nasce normal, mas com sintomas de comprometimento ganglionar, hepatosplenomegalia, anemia, miocardite, problemas visuais.

Nos gatos os sintomas  as síndromes clínicas mais comuns são : deficiências neurológicas, retinocoroidite, polimiosite, linfadenopatia, hepatite, pancreatite, granuloma intestinal, abortamento e moléstia neonatal.
Prevenção
- Evitar o consumo de carnes cruas ou mal cozidas;
- Manter boa higiene e lavar as mãos após manipular carnes cruas, passar o hábito de lavar sempre as mãos às crianças quando elas brincarem em tanques de areia ou no solo;
- Lavar as mãos após manusear animais;
- Levar seus animais frequentemente ao veterinário e oferecer alimentos secos, enlatados ou fervidos e impedidos de comer carne crua ou caçarem ratos;
- As fezes dos gatos e o material de forração do local aonde ele dorme devem ser eliminados diariamente, antes que os oocistos tenham tempo de se tornar infectante, utilizar luvas para execução a tarefa de limpar  caixas de areia de gatos, lavando bem as mãos após esta operação;
- Utilizar luvas nas atividades de jardinagem, e lavar bem as mãos;
- Higienizar adequadamente verduras e legumes, lavando-as com água limpa, e mantendo-as de molho em uma solução de 1 colher de sopa de hipoclorito de sódio /litro de água, deixando-as de molho por  pelo menos 30 minutos, e enxaguando-as em seguida;
- Os tanques de areia para a recreação das crianças devem ser cobertos quando não estão em uso, ou cercados para impedir o acesso de gatos, ou então tratá-los periodicamente com água fervente.


Em resumo: O gato é inocente, sendo injustificável a recomendação para que mulheres grávidas não tenham contato com estes animais!


Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário


Imagens: 
http://healthylifecarenews.com/wp-content/uploads/2011/07/Toxoplasma-parasite-in-cat.jpg
http://1.bp.blogspot.com/-6jKSISgMM-s/TaNl3qrDGII/AAAAAAAAAHI/osTaHbDUPxc/s320/toxoplasmose.jpg

sábado, 29 de outubro de 2011

Diabetes mellitus em cães e gatos

Somente para quebrar um pouco a sequência de postagens sobre primeiros socorros, resolvi abordar um assunto, o qual muitas vezes as pessas não sabem ser possível, e mesmo comum, em nossos animais: Diabetes.
Apesar de ser uma doença mais comum em cães, alguns estudos internacionais apontam um crescimento na ocorrência de diabetes em gatos.Mas, qual o origem desta doença?
A diabetes mellitus é uma doença relacionada à produção ou ao funcionamento de um hormônio produzido pelo pâncreas chamado insulina. Este hormônio é importante pois atua como uma "chave" que possibilia à glicose (açucar) presente no sangue entrar nas células, onde é utilizada como alimento (fonte de energia). Quando há falhas na produção de insulina , ocorre a chamada diabetes tipo I (ou insulina-dependente). Este tipo de diabetes ocorre pela perda da atividade das chamadas células beta, que são responsáveis, no pâncreas, pela produção deste hormônio. assim, o organiasmo torna-se incapaz de produzir sua própria insulina. A diabetes tipo II (não insulina-dependente) se dá por uma redução parcial na produção de insulina ou ainda, pelo surgimento de resistência à ação deste hormõnio. Neste caso, a insulina está presente no sangue, porém as células não respondem a ela como deveriam.
Estima-se 1 em cada 400 cães e gatos seja diabético. Cerca de 60% dos gatos com diabetes mellitus tenham o tipo I e que 40%, o II. No caso dos cães, praticamente 100% dos animais possuem o tipo I.
Sintomas:
Não são muito diferentes os sintomas da  diabetes tipo I e II. Também ocorrem nos animais, caraterísticas clínicas similares aos que ocorrem nos seres humanos:
- Perda peso, apesar de, em muitos casos, se observar um aumento de apetite;
- Ingestão excessiva de água (polidipsia);
- Urina frequente (poliúria);
- Em alguns animais pode ocorrer perda de peso;
- Alterações no hálito, com surgimento de odor similar à acetona, ou odor "químico";
- Adelgaçamento da pele, que fica mais "fina" e "frágil".
Em cães pode ocorrer catarata, e no caso dos gatos, é comum a neuropatia periférica, manifestada principalment pelo enfraquecimento nos membros posteriores, dando ao animal um andar "travado" e cambaleante.
Diversas complicações podem se manifestar, em especial se o animal entra em um quadro chamado de cetoacidose diabética, com vômito, dppressão, colapso, respiração rápida e superficial, coma e morte. Outras complicações como cegueira, insuficiência renal, pneumonia podm ocorrer como complicações.
Tratamento;
O tratamento deve ser realizado em abordagens múltiplas, envolvendo:
  • Alimentação, com utilização de dietas hipoglicemiantes, e rações específicas para animais diabéticos;
  • Medicação, com uso de hipoglicemiantes orais;
  • Injeções de insulina, com uso de hipoglicemiantes orais;
  • Atividade física também é indicada para animais diabéticos, conforme o estado clínico do animal.
O monitoramento rotineiro da glicemia é uma medida importante e necessária para o controle adequado da diabetes. O acompanhamento adequado é fundamentl para se evitar as complicações.
Se você suspeita que seu animal possa estar com diabetes procure o veterinário de sua confiança, ele irá solicitar uma série de exames, os quais, associados à avaliação clínica irá possibilitar o estabelecimento de um bom diagnóstico, possibilitando assim definir o tratamento mais adequado E lembre-se: quanto mais cedo o problema for diagnosticado, mais efetivo será o tratamento e menores serão os riscos de complicações.

Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Carrapatos e pulgas: conheça estes inimigos!

Coceira! esta, geralmente, é a primeira manifestação de infestação por pulgas e carrapatos. Mas este não é o problema mais grave dentre os muitos provocados por estes parasitas, pois estes são causadores diretos e transmissores de muitas doenças. Vamos então conhecer um pouco estes vilões e os riscos que eles oferecem ao seu animal de estimação.

CARRAPATOS:

Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, carrapatos não são insetos, mas aracnídeos, ou seja, fazem parte da mesma classe das aranhas, escorpiões e ácaros!

A picada do carrapato não é dolorosa, porém, frequentemente causa coceira intensa. Sua percepção do pelo proprietário geralmente se dá pela observação da coceira, ou mesmo pela visualização do parasita no animal. 

No seu ciclo de vida, o carrapato passa por 3 estágios: larva, que dura cerca de um ano,  ninfa, fase que dura de 3 a 4 semanas, e finalmente, o adulto, que vive cerca de um mês. A cada estágio, o parasita precisa passar algum tempo no animal, se alimentando, e, após este período de repasto, retorna ao ambiente. As fases parasitárias, de um modo geral, correspondem a aproximadamente 10% da vida do carrapato, estando o parasita, no restante do seu ciclo de vida, no ambiente!

Além da coceira, grandes infestações podem levar a quadro grave de anemia, além de serem os carrapatos transmissores de graves doenças para seus animais tais como babesiose, erlichiose dentre outras, algumas inclusive graves para seres humanos, como a doença de Lyme e febre maculosa.

PULGAS:

As pulgas sim, são insetos, porém não alados. São capazes de saltar até 200 vezes o tamanho de seu corpo!

No seu ciclo de vida passam por diversos estágios de desenvolvimento. A fêmea adulta põem até 50 ovos por dia. A incubação pode variar de 2 a 200 dias, podendo variar conforme as condições climáticas e ambientais, espécie de pulga, dentre outros fatores. Após este período, eclodem as larvas, as quais sobrevivem no ambiente por duas a três semanas. Após este período a larva produz a pupa (casulo), dentro da qual se desenvolverá uma pulga adulta. Nesta forma, ela irá aguardar a presença de um hospedeiro, que pode ser um cão, gato, coelho, ou mesmo uma pessoa. As pulgas adultas podem sobreviver dentro do casulo por um ano. Acredita-se que para cada pulga no seu animal existam outras 10 se desenvolvendo no ambiente.

Dentre as doenças mais comumente relacionadas à infestação por pulgas temos da DAPP (dermatite alérgica à picada de pulga) que é essencialmente uma reação alérgica a proteínas presentes na saliva da pulga e que são injetadas no seu animal quando da picada destes parasitas. Animais com DAPP apresentam, clinicamente sintomas como coceira intensa, queda de pelos, feridas, descamação. Esta reação pode ocorrer mesmo em infestações muito baixas, nas quais muitas vezes nem mesmo se consegue localizar a pulga no animal.

Outros problemas relacionados à presença de pulgas estão a transmissão de vermes (Dipylidium caninum), anemia, stress (dado pela coceira intensa) havendo ainda a possibilidade de transmissão de alguns vírus. Pode ocorrer ainda de transmissão de doenças, que mesmo raras, são graves para os seres humanos, como é o caso da peste bubônica (transmitida pelas pulgas de ratos) e tifo murino.

COMO ELIMINAR PULGAS E CARRAPATOS?

Como vimos, pulgas e carrapatos não estão apenas no seu animal, eles estão também no ambiente, portanto tratar apenas o animal geralmente tem baixa eficácia e favorecem novas infestações.

Para tratar um animal que já apresente infestação por pulga e/ou carrapato é importante que este seja examinado por um médico veterinário, principalmente em função do risco de ocorrência e transmissão de outras doenças. Nesta consulta ele irá orientar sobre o produto mais adequado. Cuidado: os produtos utilizados são geralmente tóxicos e poder causar danos à saúde de seu animal! 

Algumas medidas são importantes não apenas para a efetividade de qualquer tratamento, mas também para a prevenção, tais como:

- Mantenha seu cão, se de pelo longo, sempre tosado, e escovado;

- Inspecione, no mínimo, a cada 15 dias seu animal para identificar a presença de carrapatos e/ou pulgas;

- Utilize produtos de qualidade no tratamento, e utilize produtos de forma preventiva (coleiras, sprays, talcos etc) mensalmente ou a cada 3 meses, conforme orientação de seu veterinário;

Lavar com freqüência cobertores, panos e roupas dos animais;

- Manter o local em que eles vivem sempre limpos, livres de entulhos;

- Se há infestação, informe-se também sobre a utilização de produtos no próprio ambiente associado ao tratamento de seu animal;

- Evite tapetes e carpetes, pois são locais ideais para a proliferação de pulgas e carrapatos;

- Em caso de cruza, faça aplicação preventiva de produtos contra carrapato e pulgas em seu animal e exija o mesmo do proprietário do outro;

-Mantenha seu jardim e quintal limpos e livres de entulhos;

E mais uma vez, não custa lembrar: em caso de dúvidas, procure um veterinário de sua confiança.


Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário 

Imagens: 
www.destaquesp.com/images/stories/canais/animais/saude_animal
www.promeris.com.br







sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A importância das vacinas para seus animais

As vacinas são instrumentos importantes para a saúde de seu animal de estimação. Elas atuam promovendo a imunização contra as principais doenças de seu cão ou gato.
As principais doenças preveníveis por vacinas em cães e gatos são:

Cães:


Cinomose: Doença provocada por vírus que afeta animais de qualquer idade. Altamente transmissível, por meio do contato direto, ambiente contaminado ou mesmo por via aérea pode manifestar-se com diversos sintomas tais como: sinais cutâneos, gastrointestinais, respiratórios ou neurológicos. Não há tratamento específico e a mortalidade é muito alta, e mesmo quando o animal sobrevive à doença há uma grande probabilidade de ocorrência de sequelas, marcadas principalmente por sinais neurológicos (tiques, incoordenação motora, convulsões etc).
2) Parvovirose: Acomete mais comumente filhotes, levando a um quadro gastrointestinal grave com diarréia e vômitos com sangue. Em animais mais velhos, pode provocar sinais cardíacos. O contágio ocorre através do contato com as fezes contaminadas, porém o vírus pode permanecer no ambiente por meses a anos. Também não há tratamento específico, somente sintomático, e a taxa de mortalidade é alta.
3) Coronavirose: doença viral, com manifestação gastrointestinal semelhante a parvovirose, porém mais branda. O cão também se contamina ao entrar em contato com as fezes contaminadas.
4) Leptospirose: doença bacteriana, que pode ser causada por diversos sorovares (tipos de leptospira) existindo mais de 10 que podem contaminar o cão. Cada sorovar manifesta uma sintomatologia clínica, que pode variar de lesões graves em rins, fígado e hemorragias. O animal se contamina entrando em contato com o animal doente ou urina contaminada (que também pode contaminar água e alimentos).
5) Parainfluenza e Adenovírus tipo 2: doenças  virais, que acometem o sistema respiratório causando tosse, espirro que podem evoluir pra pneumonia. O cão se contamina ao entrar em contato com os animais doentes,  que transmitem o vírus através de partículas durante a tosse ou espirro. Altamente contagiosa, principalmente  em locais com grande número de animais (canis, parques). É uma zoonose (doença transmitida de animais para o homem) importante.
6) Hepatite Infeciosa: doença viral com manifestação hepática e ocular. Ocorre através do contato  oronasal com o cão doente. Caracteriza-se por icterícia (urina e mucosa ocular amarelas) falta de apetite, fraqueza. 
7) Raiva: doença viral grave e sem cura, que manifesta sinais neurológicos e que se comprovada a doença é indicado eutanásia do animal. Por se tratar de uma importante zoonose, a vacina contra raiva é a única obrigatória por lei Federal no Brasil. Todos os cães e gatos devem ser vacinados anualmente com esta vacina.
8) Leishmaniose visceral: doença grave transmitida pela picada de determinadas espécies de mosquitos, manifesta inúmeros sinais clínicos no cão como lesões em pele, aumento de linfonodos, anemia, alterações em órgãos como baço, rins  e fígado  entre outros. O tratamento canino com determinadas drogas é proibido no Brasil e a legislação vigente recomenda a eutanásia dos animais positivos.
A vacina está disponível somente em áreas endêmicas (onde há vários casos de Leishmaniose visceral canina (e humana) comprovados). Uma vez vacinado, o animal pode se tornar positivo em alguns exames para detecção da doença o que em tese teria a indicação da eutanásia. Por isso, ela tem um esquema diferenciado de vacinação, pois precisa de confirmação sorológica negativa antes de iniciar o esquema vacinal, além de um controle muito mais rigoroso dos reforços vacinais.

Gatos:


1) Panleucopenia felina: doença viral, contagiosa através do contato com as fezes ou objetos que tenha entrado em contato com o animal contaminado. Manifesta principalmente sinais gastrointestinais graves com alto índice de mortalidade. Não possui tratamento específico, somente sintomático.
2) Rinotraqueíte: doença viral (causada por um herpesvírus), altamente contagiosa, que manifesta sinais respiratórios (principalmente espirros e secreção nasal) e alterações oculares, podendo levar o gato a morte por complicações do quadro ou  permanecer com sequelas oftálmicas.
3) Clamidiose: doença bacteriana, transmissível aos humanos, que se caracteriza principalmente por lesões oculares (conjuntivite, úlcera de córnea...)
4) Calicivirose: doença viral, que causa infecção respiratória nos felinos. Pode vir associada a rinotraqueíte e a clamidiose, levando ao quadro de complexo respiratório felino.
5) Leucemia Viral Felina (FeLV): doença viral grave, sem cura e sem tratamento específico, contagiosa  principalmente pela saliva do animal contaminado (que pode contaminar comedouros e bebedouros), lambedura ou modedura. Apresenta diversas manifestações clínicas, entre elas a imunossupressão e  o aparecimento de tumores em diversos órgãos (linfomas).
6) Vacina Anti-Rábica: Por se tratar de uma importante zoonose (que os cães ou gatos doentes transmitem pela mordedura/saliva), a vacina contra raiva é a única obrigatória por lei Federal no Brasil. Todos os cães e gatos devem ser vacinados anualmente com esta vacina.

Esquemas de vacinação:


Os esquemas que se seguem são das vacinas básica, outras podem ser indicadas por seu veterinário (giárdia, gripe, etc.) bem como vacinas como a contra a Leishmaniose pode ser removida do esquema básico. Idades do animal e intervalos de aplicação podem também variar conforme fabricante e prescrição Médico Veterinária.


Cães:

Semanas de vida do cão
V8 ou v10
Raiva
Leishmaniose
4 a 6
1 dose


8 a 10
2 dose

12 a 14
3 dose

16

1 dose

24


1 dose
27


2 dose
30


3 dose
Reforço anual
Reforço anual
Reforço anual
Reforço anual



Gatos:


Semanas de vida
Tríplice felina
Quádrupla
raiva
4 a 6



8 a 10
1 dose
1 dose

12 a 14
2dose
2 dose

16 a 18
3 dose

1 dose
Reforço anual
Reforço anual
Reforço anual
Reforço anual



Vacinas comerciais e não comerciais

No Brasil são considerados dois tipos de vacinas, as ditas comerciais e as não comerciais. As ditas não comerciais, a princípio são (ou deveriam ser) fornecidas exclusivamente a médicos veterinários. Sua conservação, manuseio e uso rigorosamente controlados, o que garante (ou garantiria) a qualidade do produto. Outra vantagem das vacinas não comerciais é que por serem produzidas por grande empresas, geralmente multinacionais, possuem um maior controle técnico-científico, são frequentemente atualizadas com novas cepas virais e seus adjuvantes são, geralmente, de melhor qualidade. As comerciais são vendidas a qualquer pessoa. Sua aplicação, em geral é feita em balcões, pet-shops e por pessoas sem nenhum preparo técnico. Sua conservação, manuseio e controle geralmente deficitários. Sua composição também pode apresentar cepas de menor poder imunogênico e adjuvantes menos eficientes, e acabam tendo sua sua efetividade prejudicada. 


A importância do médico veterinário na imunização de seu animal

Vacinar um animal é muito mais do que simplesmente aplicar uma injeção seguindo um calendário pré-estabelecido. Diversos fatores podem influenciar na efetividade da vacina tais como a própria vacina (qualidade, conservação, via de aplicação etc) o animal (idade, condição de saúde, temperatura, nutrição etc) e portanto muito cuidado deve ser tomado ao se vacinar um animal. É importante uma criteriosa avaliação clínica, escolha da vacina, definição do esquema mais adequado para seu animal, e somente um Médico Veterinário está habilitado para fazer este procedimento de forma técnica, visando minimizar os riscos e potencializar os efeitos  da vacina para seu animal.


Fontes:
http://www.clinipet.com
http://www.caocarinho.com.br
Ramsey, Ian K/ Tennant Junior, Bryn - Manual de doenças infecciosas em cães e gatos




Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário
CRMV-CE 1549