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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Expressão corporal de cães e gatos

Não adianta dizer que animais não falam, pois isto, definitivamente não é verdadeiro. Claro, a linguagem dos animais não é  expressa da forma como nós, seres humanos gostaríamos que fossem, mas por muitos meios os cães conseguem expressar "pensamentos", sentimentos, desejos e intenções. Qualquer um que tenha um cão ou gato já sabe que determinados comportamentos ou atitudes significam alguma coisa: pegar um brinquedo, geralmente quer dizer "- quero brincar", mexer no comedouro: "- estou com fome!" "- quero comida!", apoiar-se e arranhar uma porta "- quero sair!". Estes dentre muitos outros comportamentos e atitudes fazem parte da linguagem dos animais, e um olhar atento permite facilmente identificar esta, nem sempre discreta, linguagem. Reunimos nas imagens abaixo algumas posturas próprias de cães e gatos as quais são muito  presentes e podem falar muito e, em algumas circunstância servir de alerta: "- cuidado comigo!" "-não se aproxime!. Escutar esta linguagem é fundamental para um relacionamento harmonioso com os seus e com os outros animais.  


Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário

domingo, 3 de junho de 2012

Cuidados com cadelas e gatas prenhes.

Depois de um longo hiato nas postagens, estamos de volta, e hoje um assunto que sempre preocupa os proprietários de cadelas e gatas: a prenhez.
Seja acidental ou planejada, a prenhez é um momento especial na vida de cadelas e gatas. Geralmente, quando há uma prenhez envolvida, é comum que os proprietários se preocupem sobre como agir com seu animal.
Bem, os cuidados com uma cadela ou gata prenhe deve se iniciar antes mesmo da cobertura. Isto mesmo: para reduzir os riscos de complicações na prenhez, e mesmo favorecer um melhor desenvolvimento e a saúde dos filhotes no pós-parto, é importante que a futura mamãe esteja esteja com todas as vacinas em dias, com seu controle de parasitas atualizado e em boa condição de saúde. 
Mas e se ocorreu um "acidente" e você não teve tempo de verificar estes cuidados, ou então, se a vacina "se vence" bem no meio da prenhez, posso vacinar e "dar remédio para verme?" (adoro esta expressão, até parece que os parasitas estão doentes...). A resposta é não, ao menos eu não recomendo. As vacinas, apesar de haver quem afirme que a anti-rábica, por exemplo, possa ser aplicada, precisam de um sistema imunológico hígido para obter um boa efetividade em conferir proteção ao animal, e durante a prenhez, há intensas mudanças no sistema imunológico de cadelas e gatas. As vacinas podem também podem, em alguns casos, provocar problemas aos fetos e até mesmo ocasionar aborto, portanto, eu pessoalmente, não recomendo. O mesmo ocorre em relação aos vermífugos e com produtos para controle de parasitas externos (pulgas, carrapatos etc). Havendo necessidade de tratamento, seu veterinário irá indicar o produto mais adequado. De qualquer forma é importante que todos estes aspectos sejam verificados antes de colocar seu animal para reprodução.
Outra grande preocupação, que vejo também por parte dos proprietários, refere-se à alimentação. Muitos questionam sobre vitaminas, suplementos etc. Neste ponto a única recomendação que eu faço, claro, conforme avaliação clínica, para a grande maioria dos animais é a substituição da ração, de adulto para uma de filhote, preferencialmente ração super premium, não havendo, de um modo geral, necessidade do uso de quaisquer suplementos. Uma outra dica importante é manter sempre água limpa à disposição da futura mamãe.
Quanto às atividades físicas, se você tem o hábito de caminhar com sua cadela, mantenha este hábito. Evidentemente, não se recomenda fazer uma maratona, mas caminhadas leves são recomendadas. À medida que a prenhez avança, reduza aos poucos a carga de exercícios. caminhadas de 20 a 30 minutos são ideais nesta fase. Nas últimas duas semanas de gestação, deve-se isolar a cadela de outros animais, e portanto, encerram-se as caminhadas.
Quanto ao parto, que ocorre no caso das cadelas por volta de 58 a 64 dias, e nas gatas, por volta de 60 a 64 dias do dia da cobertura, de um modo geral não há muto o que se fazer. A grande maioria dos partos são normais, e não necessitam de maior intervenção do proprietário para sua efetivação. A única recomendação que eu faço é a manutenção de um ninho, feito com uma caixa e panos limpos, para que o animal tenha um local limpo e confortável neste momento. 
Os sinais do parto são, de um modo geral, bem evidente: o animal reduz sua ingestão de alimentos, às vezes deixa de se alimentar nas 24 horas que antecedem o parto, pode-se também observar uma queda na temperatura corporal dos animais, em especial nas cadelas. Para esta verificação recomendo a aferição da temperatura retal  diariamente na semana anterior da data prevista para o parto. entre 11 e 16 horas antes do parto, você irá observar uma queda de 1,1 ºC a 1,7 ºC  na temperatura de seu animal.
De um modo geral, como eu já disse, não há necessidade de intervenção no parto, porém caso ocorra alguma complicação, leve seu animal ao veterinário de sua confiança. Desconfie de problemas se:
- A gestação durar mais de 70 dias;
- A temperatura retal caiu há mais de 24 horas e nenhum sinal de parto;
- O animal já apresenta contrações abdominais há mais de 4 horas e não nasce nenhum filhote;
- Animal apresentando dor intensa por longo período.
Pronto, agora cuide bem da mamãe e dos filhotes. Mas sempre vale lembrar que a reprodução deve ser um ato consciente, e que os filhotes irão necessitar de um lugar seguro, que lhes ofereça abrigo, carinho,  alimentação e cuidados. Nunca abandone um filhote, e caso não quera reproduzir, pense seriamente em solicitar a seu veterinário a realização da histerectomia. Não use anticoncepcionais para evitar uma prenhez indesejada (saiba mais aqui).
CURIOSIDADE: Você sabia que uma cadela ou gata pode, em uma mesma prenhez, ser mãe de filhotes de pais diferentes?


Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário


Imagem: 
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domingo, 4 de março de 2012

Por que os gatos ronronam?

Muitas pessoas não sabem porque os gatos domésticos ronronam , já houve uma cliente que trouxe um animal para uma consulta porque ele estava com um "barulho estranho" (o bichano estava apenas ronronando). Como veremos a seguir esta questão ainda não foi bem esclarecida, porém procurarei expor algumas teorias aceitas para este fenômeno.
Bem, inicialmente, não apenas o gato doméstico, mas também diversos pequenos felinos selvagens ronronam, já os grandes felinos não tem esta capacidade.
Para muitos criadores o ronronar é uma manifestação de alegria e contentamento dos gatos, hoje, sabe-se que sim, porém, não é só isto. Os gatos podem ronronar em outros momentos, teoricamente com diversas finalidades.
Alguns teóricos afirmam que, em caso de trauma ou doença, o ronronar favorece a formação óssea ou ainda atua na liberação de endorfinas, que atuam como um analgésico natural. Já as gatas em trabalho de parto ronronam, não se sabem se como mecanismo de relaxamento ou analgésico. Filhotes respondem ronronando quando sua mãe o faz, considera-se portanto um mecanismo de comunicação e interação, servindo ainda como uma mecanismo para que os filhotes se sintam mais tranquilos e seguros.
Gatos adultos ronronam na presença de seu cuidador e especialmente quando acariciados.
De um modo geral o ronronar ainda é um mistério, tanto em sua função quanto em sua origem.
há basicamente três teorias sobre o origem (fisiologia) do ronronar. a primeira aponta que estímulos nervosos atuariam sobre as cordas vocais e estruturas adjacentes fazendo-as vibrar. Neste caso, o diafragma atuaria empurrando o ar através deste sistema e provocando o som. Na segunda teoria o ronronar surge muito mais de alterações circulatórias, por meio da passagem de sengue por uma veia localizada no peito do animal. esta passagem geraria uma turbulência, amplificada pela ação dos músculos que estão à sua volta e  pelo diafragma. Uma terceira teoria afirma que o ronronar é uma ação voluntária, ou seja, os gatos ronronam quando querem. De qualquer forma este processo ainda não é bem explicado.
Um dica aos colegas veterinários, principalmente na execução de exame clínico: quando, muitas vezes o ronronar prejudica a auscultação colocar de uma bola de algodão umedecida com álcool próximo ao focinho do animal reduz bastante a vibração e o som, facilitando o exame, sei que isto funciona, por experiência própria. 

Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário


Imagem:
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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Coceira (parte1): alergia

Meu cachorro (ou gato) está se coçando, o que ele tem? Qual o  remédio? Estas são, provavelmente, as perguntas que ouço com maior frequência de clientes, amigos, parentes, conhecidos, desconhecidos.. .nada contra, mas é que as respostas possíveis são muito mais complexas do que as pessoas pensam. A coceira, ou prurido, não é, em si uma doença, mas um sintoma, e portanto pode estar presente em diversas doenças.
Em primeiro lugar: é impossível um veterinário diagnosticar a causa de uma coceira sem examinar o animal, fazer um extenso questionário ao proprietário e, frequentemente solicitar exames complementares (hemogramas, raspados cutâneos, biópsias etc). Este é a primeira de uma série de postagens que vão abordar este problema e suas principais causas. Hoje vamos falar de: Alergia!
É isto mesmo, assim como nós, seres humanos, os animais (é, eu sei, nós também somos animais) também podem apresentar quadros alérgicos, e dentre um dos sintomas comuns nestes casos está a coceira.
Alergia é, de uma forma bem simplista, uma reação exagerada do organismo a uma determinada substância. 
Há, essencialmente três tipos de alergia em cães e gatos, conforme a origem: dermatite alérgica a picada de pulgas (e a outros parasitas), intolerância alimentar e atopia.
A Dermatite Alérgica a Picadas de Pulgas (DAPP), na verdade não é adequadamente descrita por seu nome, uma vez que carrapatos, mosquitos e outros insetos podem desencadear, com sua picada ou ação mecânica reações alérgicas em alguns cães e gatos.  A saliva (!) destes aracnídeos e insetos contem substâncias que podem ser desencadeadoras de reações alérgicas. Muitas vezes o proprietário relata que nunca viu uma pulga no seu cão (ou gato), mas aí é que está o problema: basta, por exemplo, uma única pulga para desencadear o processo, e dificilmente esta será percebida!
Os principais sintomas são: coceira, principalmente na região da virilha, base da cauda e nádegas, queda de pelo nestas áreas, e feridas, geralmente dispersas em todo o corpo. Nos gatos pode-se notar a ocorrência de crostas (cascas), principalmente no pescoço e peito.
O tratamento para a DAPP é baseada notadamente no controle de pulgas e carrapatos (para saber mais clique aqui),e, conforme o caso, com o uso de medicamentos sintomáticos (sempre com orientação médico veterinária!!!)
A Intolerância Alimentar é uma reação alérgica provocada geralmente, por produtos químicos contidos nas rações, ou ainda, em algumas proteínas contidas na carne, especialmente bovina. No caso de animais alimentados com "comida caseira" este tipo de problema pode ser decorrente também de vários condimentos comumente utilizados no preparo da "alimentação humana" que é oferecida aos animais.
Os principais sintomas são manifestados com coceira intensa, vermelhidão e descamação na pele, e frequentemente, lesões de automutilação, provocados pela ação das unhas dos animais ao se coçarem.
O tratamento, geralmente está associado ao fornecimento de alimentação específica (ração ou comida caseira) prescrita por médico veterinário. 
A Atopia, dentre as alergias em animais de estimação, é um grande desafio, principalmente pela grande variedade de substâncias que podem estar envolvidas: produtos de higiene doméstica (sabão em pó, desinfetantes, detergentes etc), xampus, perfumes (tanto o dele quanto o seu!!!), polem de flores, material de construção, fumaça (inclusive de cigarro), remédios... a lista é praticamente infinita...
Os sintomas da atopia são semelhantes aos da intolerância alimentar. O tratamento, muitas vezes é difícil, dada a dificuldade de se detectar a causa. O uso de produtos hipoalergênicos, mudanças nos procedimentos de higiene doméstica (não utilizar desinfetantes comuns, sabão em pó ) e do animal são fundamentais. 
Um alerta em relação às alergias é que, comumente, os animais são inadequadamente tratados, e muitos acabam tomando doses altas e por muito tempo de corticóides e outros medicamentos sem a orientação adequada, o que pode ser extremamente prejudicial á saúde de seu animal e não resolve efetivamente o problema. Muitos proprietários querem também um tratamento rápido, o que geralmente não é possível. Problemas alérgicos podem levar semanas, e mesmo meses para  serem diagnosticados e tratados, e em alguns casos, o animal precisa tomas doses regulares de medicamentos para controles dos sintomas, em um procedimento denominado pulsoterapia, sem contar que alguns procedimentos precisam ser conduzidos por toda a vida do animal.
Então da próxima vez que seu animal estiver se coçando, não vá pela "dica do vizinho", nem pelo remedinho "prescrito" pelo dono do pet shop, ou pelo balconista. Procure um veterinário, tenha paciência, pois o tratamento poderá ser demorado, e seja cooperativo, pois o sucesso do tratamento  dependerá muito de sua atitude e esteja atento, pois os resultados, em alguns casos nem sempre serão tão efetivos quanto o esperado pelo proprietário e/ou pelo clínico.

Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Enfermidade do Trato Urinário Inferior dos Felinos:Um guia para proprietários


A doença do trato urinário inferior dos felinos(DTUIF) consiste numa variedade de condições que afetam a bexiga e uretra dos gatos.Geralmente os gatos que são afetados por esta enfermidade apresentam dificuldade e dor ao urinar,aumentam a frequência em urinar e também pode haver sangue na urina.Eles tendem a aumentar a lambedura na região do pênis ou vagina e podem apresentar alterações no comportamento,como micção fora da caixa-de-areia,preferindo superfícies frias e lisas,como azulejos e banheiros.
O problema pode afetar gatos de todas as idades,entretanto,animais de média idade,com sobrepeso,sedentários,que alimentam-se de dieta seca,sem acesso externo,são os mais comumente afetados.Alguns fatores como estresse emocional ou ambiental,famílias com vários gatos,mudanças bruscas no dia-a-dia do gato,aumentam o risco do desenvolvimento da DTUIF.
Os principais sintomas são:Esforço para urinar,mantendo-se em posição agachada,sem expelir nada de urina,o que muitas vezes pode ser confundido com constipação ou dificuldade em defecar.Urinar em pequenas quantidades e frequentemente;Dor e choro ao urinar;Lamber-se excessivamente na região genital;Sangue na urina e micção em lugares inapropriados.
Um estágio mais grave da DTUIF é a obstrução uretral,que é o fechamento da passagem de urina da bexiga até o exterior,cujo os sinais são semelhantes,porém o gato não urina quase nada e mantêm-se mais moribundo e dolorido.A obstrução acontece mais em machos,visto que a uretra da fêmeas é de diâmetro mais largo.É importante perceber um quadro de obstrução uretral rapidamente,pois o animal sempre merecerá um tratamento emergencial.
As causas são variadas:Obstruções por cálculos,microcálculos ou" plugs",estes últimos são formados na bexiga pela deposição de microcristais e material inflamatório protéico,o que formam verdadeiros tampões na uretra;Cistite Idiopática Felina,que é uma alteração inflamatória na parede da bexiga,muito associada ao estresse,onde ocorre uma inflamação generalizada na mucosa do orgão,com sangramento,dificultando a contração e a eliminação da urina.Infecções urinárias não são comuns,devido às particularidades da urina do felino,como a alta densidade e osmolaridade,que impede o crescimento de bactérias.Porém,em animais idosos ou com problemas renais devem ser consideradas.
O tratamento depende da causa da DTUIF,mas consiste principalmente em anti-inflamatórios,mudança de manejo ambiental e dietético, e muita hidratação.Em casos mais graves como os obstrutivos, o animal poderá ser internado para sondagens e soroterapia intensiva.Em alguns quadros mais graves e repetitivos,poderá ser necessário um procedimento cirúrgico denominado "uretrostomia",que é uma nova abertura uretral,com amputação peniana.É muito importante levar o gato rapidamente ao veterinário,evitando dar medicações,pois qualquer erro ou demora as consequências podem ser fatais.
Existem algumas formas de prevenir e tentar diminuir as crises ou o aparecimento desta enfermidade,que consistem em medidas simples,como:Aumentar a frequência de alimentação,em pequenas quantidades diárias;Consultar a um médico-veterinário para conhecer a dieta mais indicada para seu felino;Preferencialmente oferecer dietas úmidas(enlatadas);Água fresca e abundante em várias partes do ambiente;Quantidade de liteiras compatível e suficiente para todos os gatos da casa,preferencialmente uma a mais que o número de habitantes.Estas caixas-de-areias devem permanecer limpas e em lugares tranquilos e seguros.Deve-se evitar mudanças ambientais bruscas e minimizar todo o tipo de estresse.O enriquecimento ambiental é também importante,devendo-se proporcionar alternativas,jogos e atividades para os animais.

*Baseado no informativo da American Veterinary Medical Association(www.avma.org)
 
Este artigo foi gentilmente cedido pelo Dr.  Reginaldo Pereira de Sousa Filho, Médico-Veterinário  CRMV-CE 1589 - Pós-Graduação em Clínica de Felinos -UCB/RJ
Recomendamos  o blog medfelina.blogspot.com

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Raiva em cães e gatos

A Raiva é uma doença provocada por vírus que acomete o sistema nervoso central de mamíferos, incluindo animais de estimação e o homem. Apesar da resposta positiva em algumas pessoas tratadas, admite-se que ainda hoje a raiva é uma doença com letalidade aproximada de 100%, daí sua gravidade. É uma das doenças mais antigas que se tem conhecimento, tendo sido provavelmente a origem de diversas lendas, mitos e histórias, como é o caso do lobisomem.
Transmissão: A raiva é transmitida pela saliva do animal doente. A contaminação se dá pela contaminação de ferimentos ou mesmo das mucosa de amimais, ou seres humanos, quando da mordida arranhão ou lambida de por uma animal doente. O vírus então, a partir do ponto de inoculação (mordida, arranhão ou lambedura) inicia um processo de migração por meio dos neurônio em direção ao cérebro.
Vírus da raiva
Diversos animais, silvestres e domésticos estão envolvidos no ciclo de transmissão da raiva, tais como morcegos, raposas, macacos, marsupiais, animais de produção  trabalho (bovinos, suínos, equinos etc) e claro, infelizmente nossos animais de estimação.
Período de incubação: O período de incubação (que vai da mordia ao surgimento dos primeiros sintomas) é muito variável. Há relatos de casos que demoraram meses, e mesmo anos, para se manifestar. De um modo geral, considera-se que o período de incubação é, em média de 2 semanas a 4 meses nos cães e de 3 semanas a 2 meses nos gatos. A velocidade depende de vários fatores tais como a profundidade e localização da lesão e a carga viral contaminante no ato da inoculação.
Salivação
Sintomas: Classicamente divide-se a riava nos animais de estimação em três períodos:
Fase prodrômica: cão ou gato passa por uma notável mudança no comportamento. Animais agitados ficam tranquilos e quietos, animais tranqüilos ficam agitados e ansiosos. De um modo geral é uma fase geralmente pouco percebida ou que não desperta maiores suspeitas.
Raiva (fase) furiosa: Nesta fase o animal fica altamente excitável, pode apresentar depravações de apetite (comem terra, pedra, madeira etc), salivação excessiva. No caso dos cães geralmente hpa mudança no latido que passa a parecer mais um uivo, e o animal pode parecer “engasgado”. A agressividade é marcante, avançando contra pessoas e outros animais. Geralmente o animal apresenta também uma tendênaia a buscar locais escuros. Com a evolução o aniimal pode apresetnar dificuldade de andar (inicialmente com mudanças nos membros posteriores). Nesta fase, o risco de mordidas é alto e portanto deve-se ter muito cuidado com animais que apresentem este tipo de sintomatologia.
Raiva (fase) paralítica: A dificuldade de andar se torna marcante, o animal não consegue comer nem beber e a salivação se intensifica. Finalmente o quedro evolui para o coma e a morte.
Vale aqui ressaltar que,salivação, dificuldade de caminhar, mudanças de comportamento e outros sintomas da raiva estão também presentes a muitas doenças. Procure um veterinário de sua confiança.
Diagnóstico:  Não é possível se realizar o diagnóstico de raiva apenas pela sintomatologia e tão pouco há exames que possam ser realizados no animal vivo. No caso de suspeita de raiva, recomenda-se o isolamento do animal suspeitos para evitar sua fuga e prevenir que este venha a agredir seres humanos e outros animais. O diagnóstico após a morte do animal é realizado pea coleta de um fragmento da medula espinhal do animal.
Tratamento: Não há tratamento para a raiva em animais. NO caso do paciente humano há protocolos que podem salvar a vida do paciente, porém estes tem sua aplicação ainda muito limitada.
O que fazer em caso de agressão por um animal:
- Lave o local afetado com água e sabão. Procure um posto de saúde mais próximo;
- Não mate o animal. Este, se possível deverá ficar preso e em observação por um período de 10 dias, independente do estado vacinal do animal. Durante este tempo, o animal deverá receber água e alimento regularmente;
- O animal deverá ficar em local seguro para evitar fugas;
- Se o animal adoecer, desaparecer ou morrer retorne imediatamente ao serviço de saúde;
- Nunca interrompa o tratamento ou deixar de tomar as vacinas prescritas pelo seu médico.
Como evitar ser mordido por um animal:
- Evite tocar em animais que estejam feridos, doentes, comendo, bebendo ou dormindo;
- Antes de tocar em uma animal pergunte ao proprietário se pode e n~ão há riscos;
- Não provoque nenhum animal, mesmo que esteja preso;
- Nunca tente separar brigas de animais;
- Ao entrar em grutas com grande infestação de morcegos, procure utilizar equipamento de segurança (máscara, óculos de proteção etc). Evite tocar nestes animais em quaisquer circunstâncias.
Prevenção
A prevenção da raiva se baseia essencialmente na prevenção às agressões, e na vacinação. Assim recomenda-se:
- Vacinar todos os animais com mais de 4 meses de idade;
- Procure manter seus animais presos. Na rua conduza-os sempre com guia ou coleira.


Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário

Imagens: 
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sábado, 21 de janeiro de 2012

Maus tratos a animais

Hoje, em diversas cidades do do mundo (veja programação) estão sendo realizados manifestos e eventos contra os maus-tratos aos animais e em favor de mudanças na legislação pela adoção de penas mais severas contra quem comete este tipo de crime.
Mas e você, sabe como reconhecer, ou suspeitar, que seu animal está sendo vítima de maus-tratos? E sabe como proceder nestes casos?
Em primeiro lugar, há algumas dicas que podem indicar, que seu animal está sendo vítima de maus tratos, mas atenção, nem todo comportamento de repulsa a uma pessoa ou local significa que seu animal sofreu maus tratos aliou provocado pro aquela pessoa. A seguir algumas para identificas possíveis maus-tratos, em algumas circunstâncias:

Banho e Tosa
Observe o estabelecimento e como o serviço é prestado.É importante que haja um envolvimento eum manuseio adequado do prestador de serviço para com o animal. “Cães e gatos manuseados como se fosse uma boneca de plástico descabelada, cães sendo puxados para um lado e para o outro por uma só pata, tendo seus longos pelos embaraçados escovados com muita força e nenhum cuidado.  Olhos assustados, orelhas para trás e rabo, quando permitido, entre as pernas" imagine "se um nozinho no seu cabelo dói, como deve se sentie seu animal sente dor quando escovado com brutalidade!"
Comece a notar os sinais que o seu cão lhe dá quando está indo levá-lo ao banho. Repare como se comporta no momento em que vai para o colo da pessoa que o recebe no Pet Shop e como esta pessoa o recebe. Tire algumas horas do seu dia para observar o banho do seu cão pelo vidro da loja, ou então repare outros cães sendo lavados e escovados no mesmo local. 
Quando notar ações que não aprova, fale com o veterinário (é importatne que o estabelecimento possua veterinário) ou o proprietário do local, que pode não saber do que ocorre ali. Você está pagando pelo serviço e tem o direito de reclamar e o dever de denunciar qualquer ato de maus - tratos que o seu cão sofra!
É possível dar um belo banho, secar e escovar um cão sem que este seja tratado com um objeto. Basta capacitar os profissionais e escolhê-los dentre os que realmente gostam de cães e gatos. Quando o trabalho não é feito em “série”, mas de forma personalizada, o tempo não precisa ser tão curto para o grooming de um cão. Também é possível fazer associações positivas aos cuidados que o cão necessita de maneira que ele goste de ir ao local, tomar o banho e ser cuidado. Além de que, se for bem tratado e receber carinho irá gostar de voltar ao lugar.
Opte por lugares onde os animais são entregues em casa logo após o banho. 
Quando o pêlo do cão estiver com “nós”, peça para cortar ou tosar e não desembaraçar a qualquer custo. Não se prenda a estética, mas a higiene e bem-estar do seu animal."

Secretárias do Lar
Ah! Aqui reside um grande problema! Embora recebam para organizar e limpar a casa um número significativo delas detesta os “causadores de sujeira”. E embora em frente aos empregadores diga que esta tudo bem, podendo até fazer mimos nos cães, quando os tutores viram as costas podem cometer todo tipo de maus-tratos.
Opte por uma funcionária que realmente goste de cães, instale câmeras de filmagem de forma a ter registrado o que ocorre na sua casa durante a sua ausência. Deixe claro que o bem-estar do cão é a sua prioridade e não apenas o serviço dela bem feito. E mais, note os comportamentos que o seu cão tem perto da sua secretária.
“Cães são como crianças, e podem demonstrar gostar de uns e temem a outros.” Existem muitas pessoas que trabalham na função de doméstica e que adoram bichos!

Adestradores, Educadores Caninos, Babás e Passeadores
"Sobre as pessoas que ensinam algo ao seu animal de estimação, é fundamental compreender que não é possível estipular quantidade de aulas para que algo seja ensinado e ou modificado no comportamento do seu cão. Cada cão responde de uma maneira, dentro do seu tempo. Além de que a dedicação dos tutores aos treinos e o comprometimento de todas as pessoas envolvidas na rotina do cão são “peças chaves” no andamento dos treinos.
Treinos com uso de punição são mais rápidos e mais precisos, porem não são justificáveis!
Acompanhe as aulas, e quando precisar se ausentar, escolha outra pessoa para estar presente. Fique atento para a reação do seu cão quando o profissional chegar a casa. Note como ele se comporta depois das aulas. Não permita que uma pessoa sob a alegação de ensinar algo ao seu amigo uso um enforcador. Aqui também vale a dica de manter uma filmagem da sua casa quando está ausente, ou seguir vez ou outra, o passeador sem que ele perceba. 
Converse com os vizinhos para estarem atentos ao passeador enquanto anda na rua com o seu cão. Peça referências da babá, combine com algum parente para chegar na casa enquanto o profissional está fazendo a manutenção, filme...
Embora algumas das profissões ligadas ao manejo de cães, existem outras tantas. O que importa é notar o comportamento do se cão em relação a tais pessoas. 
Veterinários NÃO estão fora destas dicas de observação, devem SIM ser incluídos!

Fique atento aos seguintes comportamentos no seu cão:
- Rabo entre as pernas, orelhas para trás ou para baixo,
- Urinar quando a pessoa se aproxima ou chega no lugar,
- Deitar no chão com a barriga para cima quando a pessoa se aproxima ou fala com ele,
- Respiração ofegante,
- Salivação,
- Esquivar-se sem justificativa quando terceiros ou você levanta o braço ou se aproxima,
- Agressividade,
- Apatia, depressão,
- Tentativa de fulga...Nem todos os cães mostram sinais perceptíveis aos olhos de um leigo, por isto fique muito atento.
É claro que os sinais acima podem derivar de outros motivos e situações, mas se começar a notá-los depois de que o seu animal freqüenta algum lugar, ou quando fica aos cuidados de terceiro, pode ser um indício de algo maior está ocorrendo!
Um exemplo bem prático que posso dar é o caso dos meus cães que se estiverem deitados no chão e alguém se aproximar com uma vassoura, nenhum deles irá correr e sair de lá. São indiferentes ao objeto, sabe por que? Porque nunca apanharam de vassoura ou foram enxotados de um lugar com a ameaça de uma vassoura, portanto não associam o objeto a algo que possa fazer-lhes mal.
Tanto quanto o profissional que comete violência com o seu cão é culpado, o tutor que não atenta para tais fatos acaba sendo também. 

Mas, o que pode ser considerado mal-trato:
Os maus tratos contra animais são definidos no DECRETO Nº 24.645, de 10 de julho de 1934 , que no seu artido 3º define:
"Art. 3º - Consideram-se maus tratos: 
I - praticar ato de abuso ou crueldade em qualquer animal;
II - manter animais em lugares anti-higiênicos ou que lhes impeçam a respiração, o movimento ou o descanso, ou os privem de ar ou luz;
III - obrigar animais a trabalhos excessivos ou superiores às suas forças e a todo ato que resulte em sofrimento para deles obter esforços que, razoavelmente, não se lhes possam exigir senão com castigo;
IV - golpear, ferir ou mutilar, voluntariamente, qualquer órgão ou tecido de economia, exceto a castração, só para animais domésticos, ou operações outras praticadas em benefício exclusivo do animal e as exigidas para defesa do 
homem, ou interesse da ciência;
V - abandonar animal doente, ferido, extenuado ou mutilado, bem como deixar de 
ministrar-lhe tudo que humanitariamente se lhe possa prover, inclusive 
assistência veterinária;
VI - não dar morte rápida, livre de sofrimento prolongados, a todo animal cujo extermínio seja necessário para consumo ou não; 
VII - abater para o consumo ou fazer trabalhar os animais em período adiantado de gestação;
VIII - atrelar, no mesmo veículo, instrumento agrícola ou industrial, bovinos com eqüinos, com muares ou com asininos, sendo somente permitido o trabalho em conjunto a animais da mesma espécie;
IX - atrelar animais a veículos sem os apetrechos indispensáveis, como sejam balancins, ganchos e lanças ou com arreios incompletos, incômodos ou em mau estado, ou com acréscimo de acessórios que os molestem ou lhes perturbem o funcionamento do organismo;
X - utilizar, em serviço, animal cego, ferido, enfermo, fraco, extenuado ou desferrado, sendo que este último caso somente se aplica a localidades com 
ruas calçadas;
XI - açoitar, golpear ou castigar por qualquer forma a um animal caído sob o veículo, ou com ele, devendo o condutor desprendê-lo do tiro para levantar-se;
XII - descer ladeiras com veículos de tração animal sem utilização das respectivas travas, cujo uso é obrigatório;
XIII - deixar de revestir com o couro ou material com idêntica qualidade de proteção, as correntes atreladas aos animais de tiro;
XIV - conduzir veículo de tração animal, dirigido por condutor sentado, sem que o mesmo tenha boléia fixa e arreios apropriados, com tesouras, pontas de guia e retranca;
XV - prender animais atrás dos veículos ou atados às caudas de outros;
XVI - fazer viajar um animal a pé, mais de 10 quilômetros, sem lhe dar descanso, ou trabalhar mais de 6 horas contínuas sem lhe dar água e alimento;
XVII - conservar animais embarcados por mais de 12 horas, sem água e alimento, devendo as empresas de transportes providenciar, sobre as necessárias modificações no seu material, dentro de 12 meses a partir da publicação desta Lei;
XVIII - conduzir animais, por qualquer meio de locomoção, colocados de cabeça para baixo, de mãos ou pés atados, ou de qualquer modo que lhes produza sofrimento;
XIX - transportar animais em cestos, gaiolas ou veículos sem as proporções necessárias ao seu tamanho e números de cabeças, e sem que o meio de condução em que estão encerrados esteja protegido por uma rede metálica ou idêntica, que impeça a saída de qualquer membro animal;
XX - encerrar em curral ou outros lugares animais em número tal que não lhes seja possível moverem-se livremente, ou deixá-los sem água e alimento por mais de 12 horas;
XXI - deixar sem ordenhar as vacas por mais de 24 horas, quando utilizadas na exploração do leite;
XXII - ter animais encerrados juntamente com outros que os aterrorizem ou molestem;
XXIII - ter animais destinados à venda em locais que não reúnam as condições de higiene e comodidades relativas (Eita que isto é só o que existe em Crateús);
XXIV - expor, nos mercados e outros locais de venda, por mais de 12 horas, aves em gaiolas, sem que se faça nestas a devida limpeza e renovação de água e alimento;
XXV - engordar aves mecanicamente;
XXVI - despelar ou depenar animais vivos ou entregá-los vivos a alimentação de outros;
XXVII - ministrar ensino a animais com maus tratos físicos;
XXVIII - exercitar tiro ao alvo sobre patos ou qualquer animal selvagem ou sobre pombos, nas sociedades, clubes de caça, inscritos no Serviço de Caça e Pesca;
XXIX - realizar ou promover lutas entre animais da mesma espécies ou de espécie diferente, touradas e simulacros de touradas, ainda mesmo em lugar privado;
XXX - arrojar aves e outros animais nas casas de espetáculos e exibi-los, para tirar sortes ou realizar acrobacias;
XXXI - transportar, negociar ou caçar, em qualquer época do ano, aves insetívoras, pássaros canoros, beija-flores, e outras aves de pequeno porte, exceção feita das autorizações para fins científicos, consignadas em lei anterior.
Hoje o entendimento é que qualquer caso em que haja ato abusivo, que cause constrangimento ou dor ao animal é mal-trato. A Lei Federal de Crimes Ambientais 9.605/98, em seu artigo 32, Cap. V condena todo aquele que "Praticar ato de abuso e maus-tratos à animais domésticos ou domesticados, silvestres, nativos ou exóticos", com pena de detenção de três meses a um ano, e multa (a pena é aumentada de um sexto a um terço se ocorre morte do animal)."

Quando e onde e como denunciar?
em primeiro lugar investigue. Certifique-se que realmente se caracteriza mal-trato. Procure obter provas (testemunhais, fotos etc). Se for possível procure conversar com o agressor. Procure mostrar que ele está cometendo um crime.  
Denuncie, procure a  delegacia para lavrar um Termo Circunstanciado, em função do artigo citado anteriormente da Lei 9.605/98. Denúncias por telefone podem ser feitas pelo telefone (88) 3692 3504 (Delegacia de Polícia Civil de Crateús), ou, em outros municípios pelo "Disque Denúncia":

SUL
RS - 181
SC - 181
PR - 181

SUDESTE
SP - 181
MG - 181
RJ - (21) 2253-1177 / 0300-253-1177 (Petrópolis)

NORDESTE
BA - 3235-000 (Capital) / 181 (Interior)
SE - 181
AL - 0800-2849390 Polícia Civil / (82) 3201-2000 P.M.
PE - (81) 3421-9595 (Capital) / (81) 3719-4545 (interior)
PB - 197
RN - 0800-84-2999
CE - (85) 3488-7877
PI - 0800-280-5013
MA - 3233-5800 (Capital) / 0300-313-5800 (interior)
TO - 0800-63-1190

NORTE
PA - (94) 3346-2250 / 181
AM - 0800-092-0500
RR - 0800-95-1000
AP - 0800-96-8080
AC - 181
RO - 0800-647-1016

CENTRO-OESTE
MT - 197
MS - 147
GO - 197
DF - 197

É importante que todas as pessoas se conscientizem que o respeito aos animais é uma premissa fundamental para um sociedade saudável e evoluida, e que a práticas de abusos constitui-se um crime. Necessário também se faz que a polícia e a justiça façam a lei ser cumprida e que agressores sejam devidamente responsabilizados e punidos.

Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário

Fontes:
www.arcabrasil.org.br/animais/caes_e_gatos/maustratos.htm
www.educadoracanina.com.br






segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Câncer em animais de estimação

Os avanços na medicina veterinária tem possibilitado, cada vez mais, uma efetiva melhoria na prevenção, diagnóstico e na cura das doenças. Assim, de forma similar ao que ocorre aos seres humanos, tem-se observado, nos últimos anos, o aumento na longevidade e na qualidade de vida de nossos animais de estimação. Porém, com  aumento da longevidade, tem se tornado cada vez mais comum, a ocorrência de câncer. Estudos realizados pela Morris Animal Fundation (http://www.morrisanimalfoundation.org) apontam que 25% dos animais de estimação acabam morrendo de câncer, elevando-se este índice para 50% nos animais com mais de 10 anos.
Mas o que é um câncer? As células que compõem nosso corpo e o dos nossos animais estão em constante divisão. Este processo é importante, por exemplo, para a reposição de células que morrem, permitem também o crescimento dos indivíduos, sendo portanto um processo natural e rigidamente controlado  pelo nosso organismo. Quando falamos de câncer, estamos tratando de um grupo de doenças que se caracterizam pela perda do controle desta divisão em uma determinada célula. Esta divisão descontrolada leva à perda da funcionalidade ou a mudanças no funcionamento de órgãos, causar a compressão de estruturas importantes no organismo (com o cérebro, por exemplo)  ou ainda, invadir outros órgãos e tecidos (processo conhecido como metástase).
Quais os sintomas? Seria uma grande pretensão minha aqui querer falar em uma única postagem sobre os diversos tipos de câncer que acometem os animais domésticos (claro, vou dedicar ainda algumas postagens a alguns tipos específicos mais comuns) porém, há alguns sintomas que podem ser indicativos de câncer em animais de estimação. Ressalto que estes sintomas são comuns a várias doenças, não sendo, necessariamente indicativo que seu animal esteja com câncer, somente seu veterinário poderá fazer o diagnóstico adequado:
- Surgimento de nódulos, "massas" ou  "caroços" em qualquer parte do corpo do seu animal;
- Mudança no tamanho ou forma de algum nódulo já pré-existente;
- Ferimentos que não cicatrizam;
- Dificuldade de comer/engolir;
- Aumento do volume abdominal;
- Corrimento nasal, especialmente se houver sangue;
- Dificuldade de urinar, urina com sangue (também muito comum com infecções do trato urinário);
- Esforço para defecar ou ainda fezes "finas" ou ainda em forma de fita;
- Vômitos e diarréria persistentes (comuns em várias outras doenças);
- Claudicação (o animal fica mancando) ou ainda pode ocorrer alterações no andar;
- Mal hálito, salivação excessiva, "movimento" ou amolecimento dos dentes;
- Secreção ou odores nas  orelhas (também comuns em casos de infecções (otites));
- Aumento na ingestão de água;
- Falta de apetite, fraqueza;
- Perda de peso.
Estes são apenas alguns sintomas, muitos outros podem ocorrer,conforme o tipo e localização do câncer. 
Como tratar câncer em uma animal de estimação? O tratamento do câncer varia conforme uma série de fatores que envolvem, o tamanho e localização da lesão, o tipo de câncer, a idade do animal, a ocorrência ou não de metástases. De um modo geral, pode-se optar pela remoção cirúrgica, quimioterapia ou ainda, em alguns centros especializados, radioterapia.
Como prevenir? A prevenção dos diferentes tipos de câncer passam por uma série de ações/hábitos simples:
- A esterilização de fêmeas ou a castração dos machos são ótimas formas de prevenir uma grande variedade de canceres. Evite ao máximo o uso de anticoncepcionais (para saber mais, clique aqui);
- Forneça para seu animal uma alimentação saudável (consulte seu veterinário), evite "comida de panela", procure fornecer ração de qualidade e controle o peso de seu animal (para saber mais, clique aqui);
- Se você usar produtos químicos para limpar o chão, fertilizantes químicos em suas plantas, ou ainda herbicidas para matar ervas daninhas em seu jardim, há uma boa chance de seu animal de estimação tenha contato com estes produtos ou com as áreas em que foram aplicados;
- Procure manter seu animal com a boca sempre limpa, faça escovação frequente  e solicite, sempre que necessário, a remoção de tártaro de seu animal  (para saber mais, clique aqui);
- Não fume próximo a seu animal, a superfície nasal, em especial dos cães, é um verdadeiro atrativo para substâncias cancerígenas no ar, e o cigarro é uma importante fonte destas substâncias;
- Faça, você mesmo, um exame mensal em seu animal. toque com as mãos todo o corpo do seu animal, procure por  caroços e nódulos. Preste também atenção aos sintomas listados anteriormente;
- Visitas frequentes ao seu veterinário também são importantes, possibilitando o diagnóstico precoce não apenas de câncer, mas de várias outras doenças (para saber mais, clique aqui).
Com atenção, carinho e cuidado seu amigão vai ter uma vida longa e saudável. Em caso de dúvidas, consulte um veterinário de sua confiança.

Juracir Bezerra Pinho
Médico veterinário


Imagens:
http://yourcatcareguide.com/wordpress/wp-content/uploads/2008/02/old-cat.JPG
http://pethealth.petwellbeing.com/w/images/2/25/Dog_Lip_Tumor.jpg

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Hora do banho parte 2: Gatos

Na nossa última postagem falamos sobre como banhar um cachorro. Mas agora  vamos tratar dos bichanos.  Há muitas controvérsias sobre a necessidade ou não de se banhar gatos. Para muitos, o banho em gatos, em especial aqueles de pelo curto e que são exclusivamente domiciliados, não se faz necessário, pelo fatos destes animais conseguirem fazer sua própria higiene. Porém, eventualmente, gatos podem ser banhados. 
Para começo de conversa, vamos ter em mente que gatos, de um modo geral odeiam tomar banho, porém, como toda regra tem exceções, há evidentemente alguns bichanos que simplesmente adoram. De um modo geral este procedimento será melhor executado se   tivermos a participação de duas pessoas, pois enquanto uma segurar o bichano enquanto outra irá banhá-lo.
O preparo:
Gatos decididamente não gostam de água, assim todo o preparo para o banho deve ser feito sem queo bichano perceba esta preparação. Para banhar seu bichano você vai precisar:
- Banheira, bacia ou pia;
- Xampu, não podendo utilizar, evidentemente, produtos "de gente". Procure o produto mais específico possível;
- Algodão hidrófobo, na ausência deste utilize algodão comum;
- Pano macio;
- Uma banheira;
- Toalha limpa.
Mãos à obra:
Saiba que, decididamente, gatos, não gostam de água, então todo o preparo do banho deve ser feito fora do campo de observação de seu animal, assim você vai evitar um aumento no estresse de seu animal. De preferência utilize uma banheira ou bacia, a água deve estar levemente morna. O volume de água na banheira/bacia deve ser o suficiente para alcançar a barriga de seu bichano. Para melhorar a aceitação, mantenha na água brinquedos de borracha e brinque com seu bichano durante o banho.
Importante: Antes de molhar seu gato, coloque bolas de algodão hidrófobo na orelha do bichano, isto irá evitar a entrada de água e a ocorrência de otites (infecção de ouvido).
Para conter seu bichano, segure-o com firmeza pela pele na nuca, com cuidado para não machucá-lo). Comece molhando todo o corpo do bichano, do rabo à cabeça a cabeça. Na cabeça, não jogue água diretamente, Molhe a cabeça com um pano úmido ou jogue água de forma suave, diretamente com suas mãos. Aplique o xampu em todo o corpo do animal, tendo cuidado para não cais nas orelhas e olhos, deixando o produto agir pelo tempo recomendado na embalagem ou prescrito por seu veterinário (no caso de banhos terapêuticos). Em seguida enxague em seguida com água em abundância para remover todo resquício do produto utilizado no banho, pois pelo hábito de se lamber seu bichano pode acabar se intoxicando ou desenvolvendo alergias ao xampu utilizado.
A secagem: 
Pronto, hora de secar. Retire o algodão das orelhas de seu bichano. Para secá-lo utilize uma toalha limpa e macia. Se necessário utilize um secador, na temperatura mais baixa e mantendo-o distante do seu gato,  porém, estes geralmente rejeitam o secador em função do barulho. Uma boa dica é banhar seu gatinho em um dia de sol e após a secagem com a toalha colocá-lo em uma área com incidência direta do sol para completar a secagem.
Vale lembrar que, no caso dos gatos,o banho não substitui a escovação frequente da pelagem (diária ou a cada dois dias).


Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário


Imagens:
http://www.pictures-of-cats.org/images/cat-bath-2.jpg
http://catgroominglosangeles.com/wp-content/uploads/cat-grooming-los-angeles.jpg