terça-feira, 15 de novembro de 2011

Doenças periodontais de cães e gatos

As doenças periodontais representam um grave risco para seu animal, com consequências sobre  a saúde, longevidade e bem estar dos animais, havendo estudos de correlação direta de problemas cardíacos, renais, hepáticos, articulares e processos infecciosos generalizados relacionados aos problemas periodontais.
Sintomas
Os sintomas mais comuns e de mais fácil percepção de doenças periodontais nos animais de estimação são:
- Mal hálito;
- Dentes com alteração na coloração;
- Gengiva avermelhada ou inchada (gengivite);
- Perda dos dentes;
Dificuldade em morder;
- Dentre fraturados ou quebrados;
- Dificuldade em se alimentar, em alguns casos com perda de peso;
Salivação com odor alterado ou com estrias de sangue;
- Dor ao abrir ou manipular a boca e região próxima a boca do seu animal;
Movimentação da língua excessiva como se tivesse retirando algo de dentro da boca;
- Inchaço ou fistulação abaixo dos olhos;
- Irritabilidade;
- Depressão.
Tratamento
O tratamento das doenças periodontais varia conforme a gravidade de cada caso. Cabe ao médico veterinário avaliar. O tratamento geralmente inclui o uso de antibióticos, remoção de placas bacterianas e cálculos, extração de dentes severamente comprometidos dentre outros. 
Prevenção
Para prevenir as  doenças periodontais de seu pet, você deve:
- Fornecer alimentação adequada (comida caseira, é um importante fator desencadeador de doenças periodontais);
-  Oferecer a seu animal, snacks, ossinhos próprios para limpeza;
- Escovar regularmente os dentes de seu animal.
A escovação
Quando algumas pessoas ouvem falar de escovação acham que se trata de uma brincadeira, a tomam esta importante ação com deboche, mas, quem tem um animal com uma doença periodontal severa sabe o tamanho deste problema!
Vamos a algumas dicas de escovação:
Não é necessário que seu animal adore a escovação, porém ele precisa suportar o procedimentos. Os passos iniciais são voltados para que seu amigão aceite a escovação.
ATENÇÃO: Não utilize creme dental comum (humano) para escovar os dentes de seu animal, 1. O primeiro passo para uma boa escovação é a escolha do ambiente. Procure um local calmo, que não ofereça distrações e não tenha nada atrapalhando a escovação (outros animais, brinquedos etc). Não tenha pressa.
2. Deixe seu animal se acostumar com a esta nova atividade que é a escovação. Inicialmente, nos primeiros 3 a 4 dias, apresente a escova, introduzindo-a suavemente na boca de seu animal e fazendo uma leve massagem (sem creme dental).) . Apresente também o creme dental: coloque um pouco de creme dental em seu dedo e deixe-o lamber o produto.
3. Nos 5 dias seguintes coloque um pouquinho do creme dental no seu dedo, acomode o seu animal no colo, ou na posição preferida dele, e massageie o seu dedo na gengiva dele por uns 5 segundos. Comece massageando apenas os dentes da frente ou uma das laterais da boca. Observe o ponto que o seu cão fica mais relutante em deixar escovar e a cada dia dedique um segundo a mais justamente neste ponto. Termine a massagem da gengiva sempre no ponto da boca que ele fica mais relaxado. Ao final desta breve seção faça bastante carinho e ofereça um pouquinho de água.
4. É hora de introduzir a dedeira de borracha. Repita o programa de 5 dias como foi descrito no item 3, desta vez usando a dedeira.
5. Você já está trabalhando a 13 ou 14 dias e já deve ter conquistado alguns progressos. Se o seu peludo já aceita bem a escovação, vá em frente e trabalhe a boca toda. Se vocês ainda precisam de algum tempo para se adaptar ao ritual da escovação, procure dividir a tarefa em duas etapas. Escove uma metade da boca primeiro, e então libere o peludo para brincar ou fazer qualquer outra coisa. Em uma outra hora do dia que vocês estejam relaxados novamente aproveite para escovar a metade que ficou faltando. Mantenha este esquema até o seu animal começar a aceitar a escovação com naturalidade.
6. Enquanto o seu peludo estiver se acostumando a ter os dentes escovados, tenha o cuidado de parar a sessão antes dele ficar irritado e irrequieto. Se ele desconfiar que dando chilique vai se livrar da escova de dentes, vai ficar cada dia mais difícil de tratar da boca de seu animal.
7. Escove sempre de uma maneira bem gentil e sem fazer força contra a gengiva de seu animal.
8. Faça movimentos circulares lentos e certifique-se de massagear a linha da gengiva, além da parede dos dentes.
9. Certifique-se de escovar os dentes do fundo da boca e os caninos, pois é neles que as placas se formam mais freqüentemente. Também não se preocupe em escovar os dentes pelo lado de dentro da boca do bichão, pois as placas e o tártaro normalmente se aderem na face externa dos dentes.
10. Sempre termine cada sessão fazendo um belo carinho no seu peludo.
11. A frequência de escovação depende da condição clínica de seu animal. O recomendável é de, no mínimo, 2 vezes por semana, porém, em casos mais severos, pode-se realizar escovação diária;
12. Os utensílios (dedeiras, escovas e creme dental) devem ser adequados para animais, Procure produtos de qualidade;
ATENÇÃO: Cuidado com produtos de higiene oral com Xilitol (um tipo de adoçante que também é utilizado em produtos odontológicos por combate cáries) na sua formulação, por ser este composto tóxico para animais, podendo levá-los à morte!
Animais com tártaro ou alguma outra complicação já instalada podem necessitar passar por procedimentos de limpeza, extração, tratamento com antibióticos, obturação ou outros. Consulte seu veterinário.
Ah, em breve, na Amicão, você poderá realizar a remoção de tártaro de seu animal. 

Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário


Imagem: http://thoughtsfurpaws.com/wp-content/uploads/2010/10/dog-tooth-clean.jpg

sábado, 5 de novembro de 2011

Seu animal está com o peso adequado?

Muitas vezes o proprietário (odeio este termo, pois acho um absurdo o sentido de posse sobre um animal, mas vamos em frente!), tem interesse em saber se seu animal está com o "peso certo". 
Este é um questionamento pertinente. Animais muito magros, podem ser reflexo de deficiências nutricionais, mas também, podem manifestar, por meio da magreza, sintomas de diversos distúrbios e doenças. Por outro lado, a obesidade predispõe o animal a uma série de problemas, como lesões articulares, problemas ortopédicos, problemas respiratórios e cardiovasculares dentre outros. Assim, uma boa avaliação do peso de seu animal é importante.
Mas o peso, como único critério de avaliação, não é um elemento definitivo para verificação do status corporal de seu animal. A avaliação de magreza, peso normal, sobrepeso e obesidade devem considerar também o chamado "escore de condição corporal". 
Para saber se seu animal está no peso adequado, utilize as tabelas de peso e de escore que se seguem:
CÃES:
RAÇA
PESO (kg)
Afghan Hound
26 a 34
Akita
34  a  54
Basset Hound
20 a 29
Beagle
9 a 11
Bichon Frise
3 a 5
Border Collie
12 a 40
Boxer (Fêmeas)
24 a 29
Boxer (Machos)
27 a 32
Bulldog Francês
9  a  13
Bulldog inglês
24 a 28
Bullmastiff
45 a 60
Chihuahua
1  a  3
Chow Chow
25 a 32
Cocker Spaniel Amercano
12 a 14
Cocker Spaniel Inglês
12 a 16
Collie
20 a 34
Dalmata
25
Daschund
8 a 14
Daschund miniatura
4 a 5
Doberman
30 a 40
Fila Brasileiro (fêmeas)
a partir de 49
Fila Brasileiro (machos)
a partir de 54
Fox Paulistinha
5 a 9
Fox Terrier
7 a 10
Golden Retriever
28 a 37
Golden Retriever (fêmeas)
25 a 32
Golden Retriever (machos)
27 a 36
Husky Siberiano
19 a 29
Labrador Retriever (fêmeas)
25 a 32
Labrador Retriever (machos)
27 a 34
Lhasa Apso
5 a 8
Lulu da Pomerânea
2 a 3
Maltês
3 a 4
Mastiff
50 a 90
Pastor Alemão
29 a 40
Pastor Belga
27 a 35
Pequinês
5 a 6
Pinscher Miniatura
2 a 4
Pointer
20 a 27
Poodle Grande
10 a 16
Poodle Mini
4 a 8
Poodle Toy
3 a 6
Pug
5 a 8
Rottweiler (fêmeas)
38 a 52
Rottweiler (machos)
43 a 59
Samoieda
16 a 26
São Bernardo
50 a 91
Schnauzer Gigante
40 a 50
Schnauzer Médio
15 a 20
Schnauzer Mini
5 a 8
Sheep dog
21 a 41
Shi Tzu
4  a 8
Weimaraner
24 a 30
Yorkshire Terrier
3 a 5
Fonte: Adaptado Pet Nutrition © 2002 Hill, Inc.

GATOS
RAÇA
PESO (kg)
Absínio
1,8 a 4
Birmanês
4,5 a 5
Maine Coon
11 a 15
Persa
4,5 a 5
Siamês
2 a 4,5
Fonte: Adaptado Pet Nutrition © 2002 Hill, Inc.

ESCORE DE CONDIÇÃO CORPORAL
Fonte: Adaptado Pet Nutrition © 2002 Hill, Inc.

E nunca custa lembrar: em caso de dúvidas sobre a saúde e nutrição de seu animal, procure um médico veterinário de sua confiança.

Juracir Bezerra pinho
Médico Veterinário

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Toxoplasmose, mulheres grávidas e gatos.

Semana passada, conversando com uma amiga, grávida,  que estava com seu gatinho em tratamento em função de uma gastroenterite, falávamos sobre os temores que rodeiam a gravidez, em especial quando a gestante possui gatos ou tem contato frequente com estes animais. 
Injustamente, por puro preconceito ou desconhecimento, inclusive, em muitos casos, repassados mesmo por médicos e outros profissionais de saúde, a gestação é motivo para abandono e/ou afastamento de animais inocentes. E a principal causa deste tabu: a Toxoplasmose.


Mas o que é a toxoplasmose?
É uma doença causada por um parasita Toxoplasma gondii, parasita presente em alguns gatos e transmitido para o homem por meio da ingestão de uma das formas infectantes do parasita : oocistos, bradizoítos contidos em cistos e taquizoítos.
Os gatos se infectam quando ingerem a carne de animais (ratos, aves etc.) contendo cistos na sua musculatura. Após um período, o gato infectado passa a liberar, por um período de 15 dias (e apenas durante este período) oocistos nas fezes e urina. Estes oocistos,a princípio, não são capazes de causar infecção, necessitando de 2 a 5 dias para se converter na forma infectante.
Transmissão para o ser humano
No Brasil estudos, realizados em diversos estados apontam que de 30 a 70% da população tem titulação de anticorpos para a toxoplasmose. A transmissão da toxoplasmose para os seres humanos ocorre:
- Na alimentação:
Estudos apontam que esta via de transmissão correspondem a ela ingestão de alimentos contaminados, em especial, verduras e legumes mal higienizados, carnes cruas ou mal cozidas ou assadas, leite e queijo não pasteurizados. Nos alimentos, a contaminação também pode ocorrer pela chamada "contaminação cruzada" que ocorre pelo uso de utensílios em alimentos contaminados, e posterior uso destes mesmos utensílios em alimentos não contaminados. Há registros de transmissão por água contaminada. A via alimentar, pela ingestão de formas contaminantes de transmissão corresponde a forma mais comum de contágio.
- Por via congênita (da mãe para o feto)
Uma mulher infectada durante a gestação, pode transmitir para o feto o parasita. Neste caso vale ressaltar que o problema não está naqueles casos em que a mulher já era portadora do parasita antes da gravidez, nestes casos, o próprio organismo da mulher se encarrega de manter os parasitas sob controle, protegendo assim o feto. O problema está naquelas que adquirem a doença durante o período gestacional. Neste caso, há o risco de transmissão para o feto.  
- De animais para seres humanos
Apesar de der a forma mais temida, é a menos provável, São considerados casos raríssimos (improváveis) de transmissão. Isto ocorre pois os oocistos precisam de 2 dias no a ambiente para se tornarem infectantes. Assim,  torna-se muito difícil (praticamente impossível) que um animal, como um gato, possa transmitir diretamente ao parasita para uma pessoa.
- Outras formas raras
Algumas outras circunstâncias podem ocasionar a transmissão da toxoplasmose, tais como: transfusão sanguínea, acidentes em laboratório com material contaminado, transplantes de órgãos. Até algum tempo as fezes de pombos eram postas como fonte de contaminação, hoje estudos apontam que apenas o consumo da carne crua destas aves pode transmitir esta doença.
Quais os sintomas?
No homem, menos de 10% das pessoas infectadas apresentam algum sintoma. As manifestações clínicas mais comuns são comuns a várias doenças, nos poucos casos sintomáticos pode-se observar a maioria dos casos o aumento dos linfonodos (ínguas). Os sintomas muitas vezes se restringem a isto, porém em alguns casos raros podem ocorrer  febre, dores nos músculos e articulações, cansaço, dores de cabeça, dor de garganta, surgimento de pontos avermelhados por todo o corpo - como uma alergia, urticária e aumento do fígado e do baço; menos comumente ocorre inflamação do músculo do coração.  Apesar de, na maioria das vezes estes gânglios desaparecerem espontaneamente, em alguns casos podem durar meses, bem como o cansaço e a fadiga.
Uma forma menos benigna de acometimento dos pacientes com imunidade normal é a inflamação da retina (corioretinite).
Quando a transmissão ocorre por via placentária, pode ocorrer:
1º trimestre: aborto
2º trimestre: Síndrome ou Tétrade de Sabin
. coriorretinite: 90% dos casos
. calcificação cerebral: 69% dos casos
. perturbação neural: 60% dos casos
. micro e macrocefalia: 50% dos casos
3º trimestre: nasce normal, mas com sintomas de comprometimento ganglionar, hepatosplenomegalia, anemia, miocardite, problemas visuais.

Nos gatos os sintomas  as síndromes clínicas mais comuns são : deficiências neurológicas, retinocoroidite, polimiosite, linfadenopatia, hepatite, pancreatite, granuloma intestinal, abortamento e moléstia neonatal.
Prevenção
- Evitar o consumo de carnes cruas ou mal cozidas;
- Manter boa higiene e lavar as mãos após manipular carnes cruas, passar o hábito de lavar sempre as mãos às crianças quando elas brincarem em tanques de areia ou no solo;
- Lavar as mãos após manusear animais;
- Levar seus animais frequentemente ao veterinário e oferecer alimentos secos, enlatados ou fervidos e impedidos de comer carne crua ou caçarem ratos;
- As fezes dos gatos e o material de forração do local aonde ele dorme devem ser eliminados diariamente, antes que os oocistos tenham tempo de se tornar infectante, utilizar luvas para execução a tarefa de limpar  caixas de areia de gatos, lavando bem as mãos após esta operação;
- Utilizar luvas nas atividades de jardinagem, e lavar bem as mãos;
- Higienizar adequadamente verduras e legumes, lavando-as com água limpa, e mantendo-as de molho em uma solução de 1 colher de sopa de hipoclorito de sódio /litro de água, deixando-as de molho por  pelo menos 30 minutos, e enxaguando-as em seguida;
- Os tanques de areia para a recreação das crianças devem ser cobertos quando não estão em uso, ou cercados para impedir o acesso de gatos, ou então tratá-los periodicamente com água fervente.


Em resumo: O gato é inocente, sendo injustificável a recomendação para que mulheres grávidas não tenham contato com estes animais!


Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário


Imagens: 
http://healthylifecarenews.com/wp-content/uploads/2011/07/Toxoplasma-parasite-in-cat.jpg
http://1.bp.blogspot.com/-6jKSISgMM-s/TaNl3qrDGII/AAAAAAAAAHI/osTaHbDUPxc/s320/toxoplasmose.jpg

sábado, 29 de outubro de 2011

Diabetes mellitus em cães e gatos

Somente para quebrar um pouco a sequência de postagens sobre primeiros socorros, resolvi abordar um assunto, o qual muitas vezes as pessas não sabem ser possível, e mesmo comum, em nossos animais: Diabetes.
Apesar de ser uma doença mais comum em cães, alguns estudos internacionais apontam um crescimento na ocorrência de diabetes em gatos.Mas, qual o origem desta doença?
A diabetes mellitus é uma doença relacionada à produção ou ao funcionamento de um hormônio produzido pelo pâncreas chamado insulina. Este hormônio é importante pois atua como uma "chave" que possibilia à glicose (açucar) presente no sangue entrar nas células, onde é utilizada como alimento (fonte de energia). Quando há falhas na produção de insulina , ocorre a chamada diabetes tipo I (ou insulina-dependente). Este tipo de diabetes ocorre pela perda da atividade das chamadas células beta, que são responsáveis, no pâncreas, pela produção deste hormônio. assim, o organiasmo torna-se incapaz de produzir sua própria insulina. A diabetes tipo II (não insulina-dependente) se dá por uma redução parcial na produção de insulina ou ainda, pelo surgimento de resistência à ação deste hormõnio. Neste caso, a insulina está presente no sangue, porém as células não respondem a ela como deveriam.
Estima-se 1 em cada 400 cães e gatos seja diabético. Cerca de 60% dos gatos com diabetes mellitus tenham o tipo I e que 40%, o II. No caso dos cães, praticamente 100% dos animais possuem o tipo I.
Sintomas:
Não são muito diferentes os sintomas da  diabetes tipo I e II. Também ocorrem nos animais, caraterísticas clínicas similares aos que ocorrem nos seres humanos:
- Perda peso, apesar de, em muitos casos, se observar um aumento de apetite;
- Ingestão excessiva de água (polidipsia);
- Urina frequente (poliúria);
- Em alguns animais pode ocorrer perda de peso;
- Alterações no hálito, com surgimento de odor similar à acetona, ou odor "químico";
- Adelgaçamento da pele, que fica mais "fina" e "frágil".
Em cães pode ocorrer catarata, e no caso dos gatos, é comum a neuropatia periférica, manifestada principalment pelo enfraquecimento nos membros posteriores, dando ao animal um andar "travado" e cambaleante.
Diversas complicações podem se manifestar, em especial se o animal entra em um quadro chamado de cetoacidose diabética, com vômito, dppressão, colapso, respiração rápida e superficial, coma e morte. Outras complicações como cegueira, insuficiência renal, pneumonia podm ocorrer como complicações.
Tratamento;
O tratamento deve ser realizado em abordagens múltiplas, envolvendo:
  • Alimentação, com utilização de dietas hipoglicemiantes, e rações específicas para animais diabéticos;
  • Medicação, com uso de hipoglicemiantes orais;
  • Injeções de insulina, com uso de hipoglicemiantes orais;
  • Atividade física também é indicada para animais diabéticos, conforme o estado clínico do animal.
O monitoramento rotineiro da glicemia é uma medida importante e necessária para o controle adequado da diabetes. O acompanhamento adequado é fundamentl para se evitar as complicações.
Se você suspeita que seu animal possa estar com diabetes procure o veterinário de sua confiança, ele irá solicitar uma série de exames, os quais, associados à avaliação clínica irá possibilitar o estabelecimento de um bom diagnóstico, possibilitando assim definir o tratamento mais adequado E lembre-se: quanto mais cedo o problema for diagnosticado, mais efetivo será o tratamento e menores serão os riscos de complicações.

Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Primeiros Socorros (Parte 3): Envenenamentos

Envenenamentos podem ocorrer de diversas formas (ingestão, inalação ou absorção pela pele), e causar, conforme o agente tóxico, sintomas extremamente variados. O período que o animal pode levar para manifestação dos sintomas também é variável , podendo ir de poucos minutos vários dias. O envenenamento pode ocorrer ainda de forma intencional ou acidental. 
Dentre os principais produtos causadores de intoxicação em cães e gatos, destacam-se:
Medicamentos:
Muitos medicamentos podem ser tóxicos para animais, e mesmo dentre espécies há raças que podem ser sensíveis a determinados medicamentos. Cuidado, portanto para não dar medicamento por conta própria para seu animal (paracetamol, Ácido Acetil Salicílico (AAS, melhoral,  asprina etc), ivermectina, diclofenaco, ivermectina são apenas alguns medicamentos que podem apresentar elevador grau de toxicidade para seu animal. Portanto, não custa lembrar: NUNCA forneça medicamentos sem orientação médico veterinária e mantenha remédios longe do alcance, não apenas de animais, mas também de crianças; 
Produtos carrapaticidas
Produtos para controle de pulga e carrapato: muitas vezes proprietários não orientados adequadamente ou mesmo por conta própria podem utilizar produtos destinados ao controle de pulgas e carrapatos de forma errada, e isto pode levar a quadros de intoxicação. Pode ocorrer também quadros te intoxicação pela utilização de produtos inadequados (uma vez atendi um cão cujo dono havia utilizado Baygon para combater carrapatos (Por favor não façam isto!). Procure sempre orientação médico veterinária para uso adequado de produtos destinados ao controle de pulgas e carrapatos (saiba mais);
Inseticidas
São comuns os casos em que os animais tem contato com produtos inseticidas após aplicação destes no ambiente. Seja pela ingestão de resíduos dos produtos em bebedouros, vasilhames de comida, ou mesmo pelo contato direto com o produto no ambiente. Por isto tenha cuidado ao fazer uso deste tipo de produto. Procure sempre orientação profissional. Esta é uma medida de segurança para seus animais, para você e para sua família!
Rodenticidas (venenos para ratos)
São também bastante comuns os casos de intoxicação com rodenticidas. Nem, tanto com os produtos mais modernos, pois seu sabor, de um modo geral, e desagradável, porém ainda é comum a prática do uso de produtos como "chumbinho" "mil gatos" e vários outros produtos cuja venda hoje é proibida no Brasil, porém são facilmente encontrados no comércio. A composição destes venenos é muito variável, indo de estricnina (produto altamente tóxico) a misturas de diversos produtos, o que torna estes produtos extremamente perigosos. Não utilize produtos como chumbinho para o controle de roedores, sua efetividade é limitada, pois mata apenas alguns poucos indivíduos, e há um grande risco de envenenamento para animais e seres humanos, em especial crianças. Vale ressaltar ainda que estes produtos são geralmente os utilizados por criminosos nos casos de envenenamento proposital de animais;
Produtos de limpeza
Desinfetantes, detergentes, água sanitária, desentupidores (soda caustica, ácido muriático etc) dentre outro, são substâncias comuns ao ambiente doméstico. O problema que que estes produtos podem se acidentalmente ingeridos por seu animal causando graves danos à saúde. Igualmente ao recomendado para os medicamentos, mantenha produtos de limpeza em local de difícil acesso para crianças e animais
Alimentos
Esta é boa para as pessoas que gostam de dar "comidinhas" para seu animal. Muitos alimentos humanos podem ser tóxicos para os animais: muito cuidado com chocolate, passas, uvas, nozes, cebola, alho... O ideal é oferecer para ração de qualidade, e , eventualmente, algum petisco ou biscoito próprio para animais. Algumas frutas podem entrar no cardápio, porém em pequenas porções (não oferecer frutas cítricas).
Plantas
Algumas plantas ornamentais, tais como comigo-ninguém-pode, espirradeira, babosa (Aloe vera), amarilis, mamona, copo de leite, espada de são jorge dentre outras podem conter compostos potencialmente perigosos para seu animal. O ideal é que, quando da escolha de plantas ornamentais procure se informa sobre os riscos, evitando-se adquirir plantas tóxicas.
Quais os sintomas de envenenamento?
Os agentes tóxicos são muito variados, e portanto os sintomas também o são. De um modo geral, animais envenenados apresentam alguns dos seguintes sintomas:
- Alteração de da consciência (agitação, sonolência e, às vezes, coma);
- Salivação intensa;
- Vômitos;
- Dor abdominal;
- Hemorragias;
- Tremores;
- Dilatação ou contração da pupila;
- Dificuldade para respirar;
- Alteração dos batimentos cardíacos.
O que fazer?
Em primeiro lugar: mantenha a calma!
O procedimento varia conforme o tipo de produto:
- Plantas e medicamento: provoque o vômito;
- Não provoque vômito se: seu animal estiver inconscientes ou se o agente causador for algum derivado de petróleo, ou algum produto cáustico ou corrosivo (para provocar vômito utilize água oxigenada 3%: uma a 5 colheres de café, ou ainda sal de cozinha, 1 a 3 colheres de chá para cães)
- Se o seu animal estiver sujo com o produto ou com o vômito contendo o agente tóxico, banhe-o com água levemente morna e sabão de coco (não utilize sabonete pet com produtos carrapaticidas nem nada do tipo);
- Se houver convulsões, procure manter o animal protegido de  ocasionar auto-lesões se debatendo. Coloque-o em local confortável;
- Procure identificar o agente tóxico. Se tiver embalagem, leve-a com seu animal a um médico veterinário;
- Leve seu animal imediatamente a um médico veterinário. 
- Caso haja suspeita de envenenamento proposital: DENUNCIE! Procure a polícia e faça um boletim de ocorrências.




Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário


Imagem:http://4.bp.blogspot.com/FMPyQCqP7I/Th9Kmh85HtI/AAAAAAAAB4I/4lJgh8ydKrA/s320/socorro_caes_gatos2_116111151513125.jpg