quarta-feira, 11 de julho de 2012

Quando meu gato é considerado sênior?


Um toque de cinza na pelagem do queixo, olhos brilhantes claros tornando-se um pouco opacos. Uma ligeira rigidez no que costumava ser uma marcha saltitante. Qualquer um destes pode ser um sinal indicador de que o seu amigo peludo está entrando nos “anos dourados”.

De um modo geral, um gato já a partir dos 7 anos já pode ser considerado com sênior.
 Fatores que afetam na idade gatos incluem peso corporal, nutrição, ambiente e saúde em geral.

O velho ditado que a cada ano na vida de um gato é equivalente a sete anos "humano" não é bastante preciso. Animais de estimação amadurecer mais rapidamente durante os dois primeiros anos de vida, e novamente durante o terço final de sua vida. Use a tabela ao lado para avaliar, de forma comparativa, a idade de seu gato com o envelhecimento de um ser humano.

Por que é importante saber a verdadeira idade do seu gato?
Animais de estimação estão vivendo mais do que nunca, graças a avanços nos cuidados veterinários e na melhoria da nutrição, proporcionando aos seus proprietários muitos mais anos de amor e companheirismo fiel. Em contrapartida, o fato é que, de forma similar ao seres humanos, quanto mais os animais envelhecem mais vulneráveis ​​se tornam a vários problemas e doenças, tais como obesidade, problemas articulares, problemas cardíacos, nos rins,  fígado e doenças crônicas como diabetes, além de problemas odontológicos e periodontais, alterações comportamentais e câncer. A boa notícia é que muitos desses problemas de saúde pode ser evitada, controlada, ou tratados se detectados nas fases iniciais.

Uma vez que o seu gato alcançou um status de sênior, a avaliação clínica e exames próprios para acompanhamento da saúde de seu animal passam a ser recomendáveis não mais anualmente, mas semestralmente.

Agindo com cautela, e tendo a atenção , carinho e cuidados adequados, os “anos dourados” de seu gato serão felizes e saudáveis. Procure um veterinário de sua confiança.



Este texto é uma livre tradução e adaptação da página: http://gwlah.com/gwlah/feline_when_senior.pdf
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terça-feira, 10 de julho de 2012

Entenda o ciclo estral das cadelas!

No tocante ao ciclo estral das cadelas já vi muitas coisas. De cliente chorando porque o animal está sangrando a outras dizendo que a cadela está menstruada. Quem vivencia a rotina da clínica veterinária sempre se depara com estas situações...
Bem, para começar vamos entender o seguinte: cadelas não possuem ciclo menstrual, e portanto não menstruam, nestas nossas amigas o que ocorre é o que o chamado ciclo estral, o qual possui fases cio características específicas.
A maturidade sexual das cadelas é muito variável. Nas raças de pequeno porte, o primeiro ciclo estral ocorre por volta de 7 a 10 meses, já nas raças de grande porte, este pode se dar  até o segundo ano de vida. a partir do primeiro cio, cada animal terá, em média, de 1 a 2 ciclos por ano, até o término de sua vida, já que cadelas não apresentam supressão de cio em função da idade avançada. O intervalo entre cada cio varia conforme o porte do animal, reça, idade, condições gerais de saúde e nutrição detre outros fatores.
O ciclo estral das cadelas, encontramos as seguinte fases:

Proestro
É a primeira fase do ciclo. Sua duração é em torno de 9 a 10 dias. Caracteriza-se pelo inchaço (entumescimento) da região vaginal. Neste período ocorre descarga vaginal sanguinolenta, daí a confusão com uma "menstruação". O organismo do animal se prepara para a ovulação e posterior gestação. A fêmea não aceita o macho.
Estro (cio)
Esta fase dura aproximadamente 9 dias. Neste período ocorre a ovulação e a fêmea aceita o macho. É o "período fértil" da cadela.
Diestro
Na terceira fase do ciclo estral, que dura em torno de 70 dias, independente de estar prenhe ou não, todo o equilíbrio hormonal se comportará de forma similar a uma gestação. Nesta fase também pode aparecer a condição clínica conhecida como "falsa prenhez". As fêmeas não grávidas podem, em função de todo este conjunto hormonal, "adotar" outros animais ou brinquedos, neste momento. Não há aceitação do macho.

Anestro
Com duração aproximada de  130 dias, esta é uma fase em que se observa uma certa estabilidade hormonal, sendo portanto uma fase de"repouso" e preparo do organismo para o próximo ciclo. Nesta etapa não há aceitação do macho.

DICAS:
- O uso de fraldas absorventes, próprias para cães, no período do proestro poderão evitar que o sangue se sua cadela cause manchas em tapetes, carpetes e sofás;
- Se não deseja que sua cadelinha venha a ficar prenhe, mantenha-a afastada de machos no período do proestro e do estro. Isto vale também para machos inteiros (não castrados) que convivem com sua cadelinha, mesmo parentes diretos. Não que haja riscos de prenhez na primeira fase, mas às vezes é difícil perceber a transição entre estas fases;
- Sua cadelinha, no período do estro a até no diestro poderá estar mais sensível e ansiosa. Evite neste período punições, submetê-las a condições de estresse e esteja também sensível a este período especial;
- Caso haja o desejo de reprodução, o ideal é que ambos os animais estejam com a vacinação em dias e passem por uma avaliação de um médico veterinário. Nesse caso o ideal é que a fêmea seja levada ao macho, logo após o término do "sangramento". Eles deverão ser mantidos juntos em local tranquilo, durante todo o dia e separados no dia seguinte. Este procedimento deverá se repetir por três vezes, alternando um dia juntos e outro separados.

Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário

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domingo, 3 de junho de 2012

Cuidados com cadelas e gatas prenhes.

Depois de um longo hiato nas postagens, estamos de volta, e hoje um assunto que sempre preocupa os proprietários de cadelas e gatas: a prenhez.
Seja acidental ou planejada, a prenhez é um momento especial na vida de cadelas e gatas. Geralmente, quando há uma prenhez envolvida, é comum que os proprietários se preocupem sobre como agir com seu animal.
Bem, os cuidados com uma cadela ou gata prenhe deve se iniciar antes mesmo da cobertura. Isto mesmo: para reduzir os riscos de complicações na prenhez, e mesmo favorecer um melhor desenvolvimento e a saúde dos filhotes no pós-parto, é importante que a futura mamãe esteja esteja com todas as vacinas em dias, com seu controle de parasitas atualizado e em boa condição de saúde. 
Mas e se ocorreu um "acidente" e você não teve tempo de verificar estes cuidados, ou então, se a vacina "se vence" bem no meio da prenhez, posso vacinar e "dar remédio para verme?" (adoro esta expressão, até parece que os parasitas estão doentes...). A resposta é não, ao menos eu não recomendo. As vacinas, apesar de haver quem afirme que a anti-rábica, por exemplo, possa ser aplicada, precisam de um sistema imunológico hígido para obter um boa efetividade em conferir proteção ao animal, e durante a prenhez, há intensas mudanças no sistema imunológico de cadelas e gatas. As vacinas podem também podem, em alguns casos, provocar problemas aos fetos e até mesmo ocasionar aborto, portanto, eu pessoalmente, não recomendo. O mesmo ocorre em relação aos vermífugos e com produtos para controle de parasitas externos (pulgas, carrapatos etc). Havendo necessidade de tratamento, seu veterinário irá indicar o produto mais adequado. De qualquer forma é importante que todos estes aspectos sejam verificados antes de colocar seu animal para reprodução.
Outra grande preocupação, que vejo também por parte dos proprietários, refere-se à alimentação. Muitos questionam sobre vitaminas, suplementos etc. Neste ponto a única recomendação que eu faço, claro, conforme avaliação clínica, para a grande maioria dos animais é a substituição da ração, de adulto para uma de filhote, preferencialmente ração super premium, não havendo, de um modo geral, necessidade do uso de quaisquer suplementos. Uma outra dica importante é manter sempre água limpa à disposição da futura mamãe.
Quanto às atividades físicas, se você tem o hábito de caminhar com sua cadela, mantenha este hábito. Evidentemente, não se recomenda fazer uma maratona, mas caminhadas leves são recomendadas. À medida que a prenhez avança, reduza aos poucos a carga de exercícios. caminhadas de 20 a 30 minutos são ideais nesta fase. Nas últimas duas semanas de gestação, deve-se isolar a cadela de outros animais, e portanto, encerram-se as caminhadas.
Quanto ao parto, que ocorre no caso das cadelas por volta de 58 a 64 dias, e nas gatas, por volta de 60 a 64 dias do dia da cobertura, de um modo geral não há muto o que se fazer. A grande maioria dos partos são normais, e não necessitam de maior intervenção do proprietário para sua efetivação. A única recomendação que eu faço é a manutenção de um ninho, feito com uma caixa e panos limpos, para que o animal tenha um local limpo e confortável neste momento. 
Os sinais do parto são, de um modo geral, bem evidente: o animal reduz sua ingestão de alimentos, às vezes deixa de se alimentar nas 24 horas que antecedem o parto, pode-se também observar uma queda na temperatura corporal dos animais, em especial nas cadelas. Para esta verificação recomendo a aferição da temperatura retal  diariamente na semana anterior da data prevista para o parto. entre 11 e 16 horas antes do parto, você irá observar uma queda de 1,1 ºC a 1,7 ºC  na temperatura de seu animal.
De um modo geral, como eu já disse, não há necessidade de intervenção no parto, porém caso ocorra alguma complicação, leve seu animal ao veterinário de sua confiança. Desconfie de problemas se:
- A gestação durar mais de 70 dias;
- A temperatura retal caiu há mais de 24 horas e nenhum sinal de parto;
- O animal já apresenta contrações abdominais há mais de 4 horas e não nasce nenhum filhote;
- Animal apresentando dor intensa por longo período.
Pronto, agora cuide bem da mamãe e dos filhotes. Mas sempre vale lembrar que a reprodução deve ser um ato consciente, e que os filhotes irão necessitar de um lugar seguro, que lhes ofereça abrigo, carinho,  alimentação e cuidados. Nunca abandone um filhote, e caso não quera reproduzir, pense seriamente em solicitar a seu veterinário a realização da histerectomia. Não use anticoncepcionais para evitar uma prenhez indesejada (saiba mais aqui).
CURIOSIDADE: Você sabia que uma cadela ou gata pode, em uma mesma prenhez, ser mãe de filhotes de pais diferentes?


Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário


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domingo, 4 de março de 2012

Por que os gatos ronronam?

Muitas pessoas não sabem porque os gatos domésticos ronronam , já houve uma cliente que trouxe um animal para uma consulta porque ele estava com um "barulho estranho" (o bichano estava apenas ronronando). Como veremos a seguir esta questão ainda não foi bem esclarecida, porém procurarei expor algumas teorias aceitas para este fenômeno.
Bem, inicialmente, não apenas o gato doméstico, mas também diversos pequenos felinos selvagens ronronam, já os grandes felinos não tem esta capacidade.
Para muitos criadores o ronronar é uma manifestação de alegria e contentamento dos gatos, hoje, sabe-se que sim, porém, não é só isto. Os gatos podem ronronar em outros momentos, teoricamente com diversas finalidades.
Alguns teóricos afirmam que, em caso de trauma ou doença, o ronronar favorece a formação óssea ou ainda atua na liberação de endorfinas, que atuam como um analgésico natural. Já as gatas em trabalho de parto ronronam, não se sabem se como mecanismo de relaxamento ou analgésico. Filhotes respondem ronronando quando sua mãe o faz, considera-se portanto um mecanismo de comunicação e interação, servindo ainda como uma mecanismo para que os filhotes se sintam mais tranquilos e seguros.
Gatos adultos ronronam na presença de seu cuidador e especialmente quando acariciados.
De um modo geral o ronronar ainda é um mistério, tanto em sua função quanto em sua origem.
há basicamente três teorias sobre o origem (fisiologia) do ronronar. a primeira aponta que estímulos nervosos atuariam sobre as cordas vocais e estruturas adjacentes fazendo-as vibrar. Neste caso, o diafragma atuaria empurrando o ar através deste sistema e provocando o som. Na segunda teoria o ronronar surge muito mais de alterações circulatórias, por meio da passagem de sengue por uma veia localizada no peito do animal. esta passagem geraria uma turbulência, amplificada pela ação dos músculos que estão à sua volta e  pelo diafragma. Uma terceira teoria afirma que o ronronar é uma ação voluntária, ou seja, os gatos ronronam quando querem. De qualquer forma este processo ainda não é bem explicado.
Um dica aos colegas veterinários, principalmente na execução de exame clínico: quando, muitas vezes o ronronar prejudica a auscultação colocar de uma bola de algodão umedecida com álcool próximo ao focinho do animal reduz bastante a vibração e o som, facilitando o exame, sei que isto funciona, por experiência própria. 

Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário


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sexta-feira, 2 de março de 2012

Displasia coxofemoral canina: conheça e previna!

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A displasia coxofemoral é um problema ortopédico, de caráter hereditário, que acomete a articulação do "osso da coxa" (fêmur) e a cavidade do quadril em que ele se encaixa (acetábulo), levando a uma sobrecarga e degeneração desta articulação. Pode ser uni ou bilateral, se ocorre em uma ou em ambas articulações.


Esta doença pode acometer todas as raças, porém sua ocorrência é mais comum em animais de raças de rápido crescimento (Pastor-Alemão, Rotweiller,  Labrador,  São Bernardo etc). 

Pode ser classificada em cinco categorias: "A", são animais normais, sem displasia, "B"animais com articulações próximas da normalidade, "C" displasia leve, "D", displasia moderada e "E", displasia grave.

Os sintomas geralmente começam a se manifestar já no primeiro ano de vida, a partir de 4 meses, porém, em alguns animais, estes podem surgir de forma mais tardia. as queixas mais comumente relatadas pelos proprietários e/ou observados são:
- Redução na atividade física (passa a ficar um maior período de tempo deitado);
- Dificuldade para se levantar;
- Resistência a atividade física (saltar, correr, subir escadas etc);
- Claudicação (coxeadura);
- Marcha saltitante;
- Dor;
- Atrofia do músculo da coxa.

Animais aparentemente saudáveis, e que não apresentem nenhum sintoma de displasia podem possuir esta doença em grau menos grave, e mesmo animais saudáveis, que não são displásicos podem ser portadores de genes determinantes de displasia coxofemoral.

O diagnóstico, apesar de ser possível uma boa avaliação clínica conforme a gravidade, é dado  por meio de um raio-x específico denominado "exame de displasia".

O tratamento da displasia coxofemoral pode conservativo (clínico), com uso de analgésicos complementados por exercícios de baixo impacto (especialmente natação), fisioterapia, acupuntura,   ou não conservativo (cirúrgico). No caso de procedimentos cirúrgicos há inúmeras técnicas que podem ir desde a remoção ou reposicionamento da cabeça do fêmur, e, em casos muito severos, colocação de próteses, dentre outra possibilidades cirúrgicas.

Algumas atitudes são importantes para se reduzir as complicações e as manifestações clínicas da displasia: 
- Controle do peso (para saber mais clique aqui);
- Evitar pisos lisos e/ou escorregadios;
- Evitar exercícios exagerados e/ou iniciados de forma precoce;
- Prevenir traumas e esforços exagerados.

Dado o seu caráter hereditário a prevenção deve se basear no controle reprodutivo, evitando-se que animais displásicos se reproduzam. Ao se adquirir um filhotes, solicite sempre que possível a radiografia e o laudo de displasia dos pais do filhote. Não adquira animais cujo um dos pais seja categorizados como "D" ou "E". 

E não custa nunca repetir: em caso de dúvidas, procure um veterinário de sua confiança. 

Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário


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02: Adaptado de: http://www.imgbox.de/users/Punix87/Huftgelenksdysplasie_3_Abbildungen.jpg


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Coceira (parte1): alergia

Meu cachorro (ou gato) está se coçando, o que ele tem? Qual o  remédio? Estas são, provavelmente, as perguntas que ouço com maior frequência de clientes, amigos, parentes, conhecidos, desconhecidos.. .nada contra, mas é que as respostas possíveis são muito mais complexas do que as pessoas pensam. A coceira, ou prurido, não é, em si uma doença, mas um sintoma, e portanto pode estar presente em diversas doenças.
Em primeiro lugar: é impossível um veterinário diagnosticar a causa de uma coceira sem examinar o animal, fazer um extenso questionário ao proprietário e, frequentemente solicitar exames complementares (hemogramas, raspados cutâneos, biópsias etc). Este é a primeira de uma série de postagens que vão abordar este problema e suas principais causas. Hoje vamos falar de: Alergia!
É isto mesmo, assim como nós, seres humanos, os animais (é, eu sei, nós também somos animais) também podem apresentar quadros alérgicos, e dentre um dos sintomas comuns nestes casos está a coceira.
Alergia é, de uma forma bem simplista, uma reação exagerada do organismo a uma determinada substância. 
Há, essencialmente três tipos de alergia em cães e gatos, conforme a origem: dermatite alérgica a picada de pulgas (e a outros parasitas), intolerância alimentar e atopia.
A Dermatite Alérgica a Picadas de Pulgas (DAPP), na verdade não é adequadamente descrita por seu nome, uma vez que carrapatos, mosquitos e outros insetos podem desencadear, com sua picada ou ação mecânica reações alérgicas em alguns cães e gatos.  A saliva (!) destes aracnídeos e insetos contem substâncias que podem ser desencadeadoras de reações alérgicas. Muitas vezes o proprietário relata que nunca viu uma pulga no seu cão (ou gato), mas aí é que está o problema: basta, por exemplo, uma única pulga para desencadear o processo, e dificilmente esta será percebida!
Os principais sintomas são: coceira, principalmente na região da virilha, base da cauda e nádegas, queda de pelo nestas áreas, e feridas, geralmente dispersas em todo o corpo. Nos gatos pode-se notar a ocorrência de crostas (cascas), principalmente no pescoço e peito.
O tratamento para a DAPP é baseada notadamente no controle de pulgas e carrapatos (para saber mais clique aqui),e, conforme o caso, com o uso de medicamentos sintomáticos (sempre com orientação médico veterinária!!!)
A Intolerância Alimentar é uma reação alérgica provocada geralmente, por produtos químicos contidos nas rações, ou ainda, em algumas proteínas contidas na carne, especialmente bovina. No caso de animais alimentados com "comida caseira" este tipo de problema pode ser decorrente também de vários condimentos comumente utilizados no preparo da "alimentação humana" que é oferecida aos animais.
Os principais sintomas são manifestados com coceira intensa, vermelhidão e descamação na pele, e frequentemente, lesões de automutilação, provocados pela ação das unhas dos animais ao se coçarem.
O tratamento, geralmente está associado ao fornecimento de alimentação específica (ração ou comida caseira) prescrita por médico veterinário. 
A Atopia, dentre as alergias em animais de estimação, é um grande desafio, principalmente pela grande variedade de substâncias que podem estar envolvidas: produtos de higiene doméstica (sabão em pó, desinfetantes, detergentes etc), xampus, perfumes (tanto o dele quanto o seu!!!), polem de flores, material de construção, fumaça (inclusive de cigarro), remédios... a lista é praticamente infinita...
Os sintomas da atopia são semelhantes aos da intolerância alimentar. O tratamento, muitas vezes é difícil, dada a dificuldade de se detectar a causa. O uso de produtos hipoalergênicos, mudanças nos procedimentos de higiene doméstica (não utilizar desinfetantes comuns, sabão em pó ) e do animal são fundamentais. 
Um alerta em relação às alergias é que, comumente, os animais são inadequadamente tratados, e muitos acabam tomando doses altas e por muito tempo de corticóides e outros medicamentos sem a orientação adequada, o que pode ser extremamente prejudicial á saúde de seu animal e não resolve efetivamente o problema. Muitos proprietários querem também um tratamento rápido, o que geralmente não é possível. Problemas alérgicos podem levar semanas, e mesmo meses para  serem diagnosticados e tratados, e em alguns casos, o animal precisa tomas doses regulares de medicamentos para controles dos sintomas, em um procedimento denominado pulsoterapia, sem contar que alguns procedimentos precisam ser conduzidos por toda a vida do animal.
Então da próxima vez que seu animal estiver se coçando, não vá pela "dica do vizinho", nem pelo remedinho "prescrito" pelo dono do pet shop, ou pelo balconista. Procure um veterinário, tenha paciência, pois o tratamento poderá ser demorado, e seja cooperativo, pois o sucesso do tratamento  dependerá muito de sua atitude e esteja atento, pois os resultados, em alguns casos nem sempre serão tão efetivos quanto o esperado pelo proprietário e/ou pelo clínico.

Juracir Bezerra Pinho
Médico Veterinário

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Enfermidade do Trato Urinário Inferior dos Felinos:Um guia para proprietários


A doença do trato urinário inferior dos felinos(DTUIF) consiste numa variedade de condições que afetam a bexiga e uretra dos gatos.Geralmente os gatos que são afetados por esta enfermidade apresentam dificuldade e dor ao urinar,aumentam a frequência em urinar e também pode haver sangue na urina.Eles tendem a aumentar a lambedura na região do pênis ou vagina e podem apresentar alterações no comportamento,como micção fora da caixa-de-areia,preferindo superfícies frias e lisas,como azulejos e banheiros.
O problema pode afetar gatos de todas as idades,entretanto,animais de média idade,com sobrepeso,sedentários,que alimentam-se de dieta seca,sem acesso externo,são os mais comumente afetados.Alguns fatores como estresse emocional ou ambiental,famílias com vários gatos,mudanças bruscas no dia-a-dia do gato,aumentam o risco do desenvolvimento da DTUIF.
Os principais sintomas são:Esforço para urinar,mantendo-se em posição agachada,sem expelir nada de urina,o que muitas vezes pode ser confundido com constipação ou dificuldade em defecar.Urinar em pequenas quantidades e frequentemente;Dor e choro ao urinar;Lamber-se excessivamente na região genital;Sangue na urina e micção em lugares inapropriados.
Um estágio mais grave da DTUIF é a obstrução uretral,que é o fechamento da passagem de urina da bexiga até o exterior,cujo os sinais são semelhantes,porém o gato não urina quase nada e mantêm-se mais moribundo e dolorido.A obstrução acontece mais em machos,visto que a uretra da fêmeas é de diâmetro mais largo.É importante perceber um quadro de obstrução uretral rapidamente,pois o animal sempre merecerá um tratamento emergencial.
As causas são variadas:Obstruções por cálculos,microcálculos ou" plugs",estes últimos são formados na bexiga pela deposição de microcristais e material inflamatório protéico,o que formam verdadeiros tampões na uretra;Cistite Idiopática Felina,que é uma alteração inflamatória na parede da bexiga,muito associada ao estresse,onde ocorre uma inflamação generalizada na mucosa do orgão,com sangramento,dificultando a contração e a eliminação da urina.Infecções urinárias não são comuns,devido às particularidades da urina do felino,como a alta densidade e osmolaridade,que impede o crescimento de bactérias.Porém,em animais idosos ou com problemas renais devem ser consideradas.
O tratamento depende da causa da DTUIF,mas consiste principalmente em anti-inflamatórios,mudança de manejo ambiental e dietético, e muita hidratação.Em casos mais graves como os obstrutivos, o animal poderá ser internado para sondagens e soroterapia intensiva.Em alguns quadros mais graves e repetitivos,poderá ser necessário um procedimento cirúrgico denominado "uretrostomia",que é uma nova abertura uretral,com amputação peniana.É muito importante levar o gato rapidamente ao veterinário,evitando dar medicações,pois qualquer erro ou demora as consequências podem ser fatais.
Existem algumas formas de prevenir e tentar diminuir as crises ou o aparecimento desta enfermidade,que consistem em medidas simples,como:Aumentar a frequência de alimentação,em pequenas quantidades diárias;Consultar a um médico-veterinário para conhecer a dieta mais indicada para seu felino;Preferencialmente oferecer dietas úmidas(enlatadas);Água fresca e abundante em várias partes do ambiente;Quantidade de liteiras compatível e suficiente para todos os gatos da casa,preferencialmente uma a mais que o número de habitantes.Estas caixas-de-areias devem permanecer limpas e em lugares tranquilos e seguros.Deve-se evitar mudanças ambientais bruscas e minimizar todo o tipo de estresse.O enriquecimento ambiental é também importante,devendo-se proporcionar alternativas,jogos e atividades para os animais.

*Baseado no informativo da American Veterinary Medical Association(www.avma.org)
 
Este artigo foi gentilmente cedido pelo Dr.  Reginaldo Pereira de Sousa Filho, Médico-Veterinário  CRMV-CE 1589 - Pós-Graduação em Clínica de Felinos -UCB/RJ
Recomendamos  o blog medfelina.blogspot.com